quinta-feira, 1 de março de 2012



Um dia eu vou perceber a necessidade de reconhecimento, o ego e a arrogância de certas pessoas. Sério. Um dia vai fazer-se luz nesta cabeça e descobrirei o propósito de obter resultados com julgamentos imbecis e falta de conhecimento de causa. Um dia o meu ingénuo cérebro vai dar-me a inteligência suficiente para reconhecer a necessidade de exigir dos outros aquilo que não tivemos coragem de dar, quando passamos pela mesma situação. A puta da mente humana é tão curta que até dá dó. Mas até nessas falhas, bastava haver um pouco de humildade na correcção dos defeitos. Bancamos os perfeitos, com a mania que a sabedoria reina na nossa experiência associada à idade e à vivência, e esquecemo-nos de ser atentos e cuidadosos com as limitações, pessoais e profissionais, do outro. Quando falamos em trabalhar em conjunto, em prol de um bem maior, não esperemos que as condicionantes se mantenham estanques. A vida muda, minuto a minuto, pedindo urgentemente que nos adaptemos. Por vezes é simples, outras vezes nem tanto. E é aí que vemos o que realmente importa. Se o projecto final, se a caminhada de criação que o caracteriza. Aí vemos se a motivação que incutimos é a necessária ou se estamos a falhar na envolvência. Mas como é mais simples acusar a má gestão de tempo, ou optar pela rigidez de exigências, mesmo sem conhecer as intempéries momentâneas, acabamos por praticar a injustiça e desmotivar. E, sinceramente, não se admirem que, depois, as decisões passem por abandonar o que, um dia, se abraçou. Do alto da vossa extrema "capacidade de luta" podem injuriar, podem apelidar de fraqueza ou desistência. Estará de consciência tranquila aquele que não mais se irá permitir "matar", fisicamente falando, por algo que, na grandeza da entrega que o voluntariado comporta, se vê pressionado e obrigado a desistir do pouco que tem. Nunca vi ninguém criar, voluntariamente, sob a pressão de "ter que". Prendam-me os movimentos, prendam-me as motivações, continuem a exigir com toda essa altivez e arrogância que, quando derem por isso, foi um ar que se me deu.

5 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Adorei o texto , e ainda retirei algumas partes para citar, mas começaram a ser muitas à medida que ia lendo ;)

Belíssima reflexão :)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

P. S. _ Não te subvalorizes! O texto não é histérico, nem apático, nem sinuoso nem desconcertante. Faltou a opção: "Espectacular/Belíssimo/Brutal/Excelente... and I mean...

Heriwen disse...

Fantástico, parabéns por tão brilhante reflexão.

Eu acho que já nem quero compreender a arrogância dessas pessoas. Prefiro que se mantenham longe, junto com a sua mediocridade, e me deixem cultivar a minha paz.

Inês disse...

Lindo, fantástico e maravilhoso.Vou roubar o post todo.Estou a rever-me em muito do que escreveste.

From now on, please, call me Tinkerbell* disse...

Agradeço a todos as palavras de incentivo! É por pessoas como vocês e com o intuito de que, com as minhas experiências e reflexões, possa vir a mudar os vossos dias que continuo a partilhar, neste espaço, uma vida tão própria. Sintam-se especiais :) *