sexta-feira, 9 de março de 2012



O relógio marcava 23.40. Arrumou tudo dentro da mala e apressou-se a sair do jantar onde se encontrava. Despediu-se a correr, deixando-as sem saber qual o motivo para tanta pressa. Não se explicou. Elas também não precisavam de saber o motivo. Chave na ignição e logo depressa soou uma música calma, completamente de acordo com a paz dos quilómetros que tinha pela frente, em plena noite enublada. A sua cabeça era desprovida de todo e qualquer pensamento, seguindo somente as riscas brancas da estrada e o som que emanava. 23.50. Acelerou mais um pouco. Faltavam-lhe apenas 10 minutos e não podia chegar depois da hora. 23.53. Contornou a última rotunda. 23.57. Estacionou. Ainda lhe restavam 3 minutos. Esses 180 segundos passaram a voar, não lhe permitindo questionar o porquê de ali estar. A decisão de agir superava, e muito, a estranheza da decisão. 00.00. Procurou o número. Tecla Verde. "A chamar...". Não obteve resposta do outro lado. Não se preocupou. Novamente a chave na ignição. Desta vez, uma música um pouco mais pesada. Pisca para a direita. Chamada retribuída. Ouviu-se uma doçura cansada na voz sorridente, típica de quem acaba de sair de um dia de trabalho. Informa-se da localização. Um misto de incredulidade e dúvida. Meia dúzia de metros são percorridos para se poder avistar o que se pretende. Sinais de luzes. Processo de retorno. Um segundo momento de incredulidade e dúvida, tentando perceber se era mesmo verdade. Paragem forçada. "O que é que estás aqui a fazer?". Dois beijos e o sorriso mais bonito que conhecia brotou. "Vim desejar-te boa noite!" Terceiro e derradeiro momento de incredulidade, enquanto os vidros subiam e a marcha era retomada. Para trás ficou um coração confuso e uma impossibilidade de perceber os motivos que levavam aquela mulher a simplesmente aparecer, assim, do nada, numa data sem qualquer tipo de efeméride associada. Mas sorriu para si, oh! se sorriu. 

Sem comentários: