sexta-feira, 30 de março de 2012



Por cá habitam segundas chances em pacotinhos doseados. Estes pacotinhos só estão disponíveis para quem tiver a ousadia suficiente de os comprar, diluir num copo com boas intenções e arrependimentos sinceros e os tomar, de uma vez, sem medo de errar novamente. 
Por cá habitam segundas, terceiras, quartas e quintas chances. Daquelas chances de remediar o que se fez, de assumir que a imaturidade e as circunstâncias da vida condicionaram atitudes. Daquelas chances em que se dá mais valor ao que se sente e ao que se quer fazer sentir. Daquelas chances em que se aceita que a parte lesada duvide até ter provas do contrário. Daquelas chances em que se pressente, desde cedo, que têm que existir para que a vida ganhe outro rumo. 
Por cá habita o perdão e o respeito para com o coração arrependido. A atitude de reconhecimento do mal efectuado já é, por si só, penosa para aquele que a assume. Quem acredita em segundas chances não está, nem pode estar, com intenções de usar esse pretexto a seu favor. Se habitam segundas hipóteses, não habita o egoísmo. 
E, é por ainda existirem pessoas capazes de suplicar por essas segundas núpcias e pessoas capazes de as dar que há a possibilidade de se acordar de uma forma diferente, numa cidade que se tornou íntima. Há a possibilidade de cruzar pés, entrelaçar mãos e sorrir frente a frente. Há a possibilidade de descer avenidas, em silêncio, e partilhar um abraço. Há a possibilidade de encontrar em acordes tão simples, no escuro que encanta e nos sorrisos que se desafiam, o simples acto de ser-se fiel ao que se descobre ser. Há a possibilidade de risos. Há a possibilidade de conversas com e sem nexo. Há a possibilidade de redefinir a história. 
O meu coração é grande o suficiente para oferecer segundas chances. No entanto, nem todos se sentem detentores dos requisitos necessários para as merecer.

1 comentário:

Maria Ritinha disse...

Gostei muito! Da escrita, do tema, da sinceridade e sobretudo da veracidade. Também sou uma eterna "sonhadora" que acredita que ainda existem as tais pessoas capazes de suplicar por segundas oportunidades e as capazes de as dar. Porque há relações demasiado importantes para acabarem por pequenos erros ou orgulhos desmedidos. Parabéns! :) Bacione*