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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Hipocrisia.


Sinto as entranhas a emaranharem-se quando visualizo fotos de sorrisos hipócritas, que bancam os perfeitos e os dedicados, quando a história que terceiros conhecem e vivenciaram lado a lado não é assim tão pura. Questiono-me seriamente como conseguem omitir coisas tão sérias e como continuam na vida sob a forma de moralistas, falsos, mas moralistas. E o pior mesmo é que acreditam e vivem aquilo, como se de verdade se tratasse. E eu benzo-me. Em tom de reprovação e de surpresa, por tamanho descaramento, mas principalmente em jeito de gratidão pelo afastamento de tamanha ruindade e egoísmo. E que continue assim: longe, bem longe!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo.


Alarmado com a quantidade de participantes num fórum radiofónico que defendia a tese de que os artistas do Charlie Hebdo estavam a pedi-las. E que a liberdade de expressão deve ter limites e controlo. Um dos crimes dos monstros que mataram ontem aquelas pessoas foi terem adormecido o artista livre que havia nelas; o outro foi terem acordado o ditador fascista que há noutras.
Quando os cartoonistas de um jornal como o Charlie Hebdo retratam profetas que é proibido retratar, há que ter a inteligência de perceber que não é com os profetas, não é com os deuses que é feita a piada. É com muitos dos homens que os seguem cegamente e cometem atrocidades em nome deles. É ofensivo? Para alguns, talvez. Todo o humor acaba por sê-lo para alguém, de uma maneira ou de outra - o riso é sempre às custas de alguém ou de alguma coisa; faz parte do conceito e da arte da comédia.
Às vezes parece que aos potenciais ofendidos falta segurança na sua crença ou na sua convicção. Gente segura de si, daquilo em que acredita, não explode de fúria com um cartoon. As reacções extremas contra o humor, seja a um número do Charlie, um episódio do South Park ou um cartoon do António parecem por vezes basear-se em insegurança pura.
E sim, se Deus existe - seja o Deus que for - tem sentido de humor. A prova disso? Nós. A sua criação. Somos todos ridículos, e todos o sabemos bem, por muito que alguns de nós o tentemos esconder. Deus é dos maiores autores de sitcom de sempre. |Nuno Markl|

sábado, 13 de dezembro de 2014

Terminal.


Perdoa-me a ousadia mas és tu o grande culpado pela minha "não dedicação". És perito em sabotar os meus sentimentos, fazendo deles chacota e usando a teu bel-prazer. Já lá vai o tempo em que fazia de conta que não via o desinteresse a abismar-se no meu peito, como se o pudesse evitar se não o assumisse. Sempre soube que o motivo foi o golpe de mestre que me infligiste no dia em que me asseguraste a impossibilidade de futuro. A minha mania de viver diferente, de acreditar em causas perdidas e de ter sempre esperança na mudança positiva do universo e da humanidade desenvolve em mim uma espécie de estupidez que me deixa, tantas vezes, inerte. A diferença de há 6 anos volvidos para os dias de hoje é que me estou pouco a borrifar para a tua partida ou permanência que, tantas vezes, se unem para me confundir. Metades não me bastam, é uma certeza, mas sou um pouco lenta no assumir dessa aprendizagem. Há um tempo e um ritmo próprios para cada situação na nossa vida. Esta tem sido arrastada por tempo demais. A cada nova tentativa, uma necessidade de encontrar um caminho novo, mais belo e justo. Não temos sido bem sucedidos. Metemo-nos em atalhos, renovando a esperança em resultados diferentes exactamente com o mesmo lema de vida. Tristes. Por muito que nos custe aceitar FIM é mesmo o que nos espera. E não faças de conta que não sabias. A idade trouxe-me paciência, por incrível que pareça, para aprender a saber esperar mas talhou-me de uma impaciência imensa para perdas de tempo desnecessárias. E esta situação é, sem sombra de dúvidas, uma perda de tempo desnecessária. Não vejo qualquer tipo de vantagem em prolongar um estado terminal. Adiar um fim certo não o impede de acontecer, antes causa uma dor mais aguda e intensa, aliada de frustração da constatação repetida. Deixa-te disso! Esquece o prazer momentâneo. É fugaz, ludibrioso e irreal. Mata-te a fome por minutos, não te impedindo de voltares a ficar faminto quando termina. Pára de me arrastares contigo para isso, para esse modo de vida com o qual não me identifico mas ao qual sucumbi sem me aperceber bem como. Diminui a velocidade, dá-te tempo, cresce e centra-te no que queres para o teu futuro. Quando nos ensinaram o Carpe Diem, não nos mandaram ser suicidas de sentimentos, homicidas de sonhos nem tão pouco violadores da humanidade do semelhante. A sábia certeza de que não duramos para sempre devia levar-nos a viver vidas melhores, optimizadas, com base em ideias e ideais que valorizamos e defendemos, não uma vida de quantidade de momentos e pessoas, como se de uma colecção se tratasse, em vez da qualidade do sabiamente escolhido. Acabaste de dar o maior tiro no pé de que há memória! Isso ou eu finalmente cansei-me das tuas balelas, parco interesse e dedicação. Há ciclos que têm que ser fechados, para bem da nossa sanidade mental. Peço desculpa mas tu és um deles. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Perdas.


Há dias tristes e altamente pesados. Daqueles que nos cansam as forças e a esperança. Onde reina o desânimo e a descrença na justiça terreno-divina. Restabelece-se energias durante um fim de semana, em jeito de lufada de ar fresco, para iniciar a semana com uma carga muito maior do que aquela que esperávamos ter de carregar. São perdas irreversíveis que se instalam e nos desalentam a alma, mesmo não estando implicadas pessoas do nosso sangue. De forma inconsciente e extremamente rápida, chega-nos à mente recordações dessas mesmas pessoas que partiram e/ou dos seus entes queridos. Se por um lado se entende a necessidade de extinção do sofrimento, por outro não se aceita a forma galopante como tudo se desenrolou. Se se consegue aceitar, com alguma paz e serenidade, a partida de alguém com uma vida recheada de décadas memoráveis, o mesmo não se pode dizer de um jovem adulto aprisionado e condenado pela doença da moda. O coração exalta-se e questiona. Há um nó que se instala na garganta. Repensa-se, mais uma vez, o que é importante. Redirecciona-se o foco. Lamenta-se o tempo desperdiçado com quem não vale a pena e com situações que deviam ser ignoradas. Um vazio apodera-se do peito. Constatamos, pela enésima vez, a pequenez que nos caracteriza. Surge a necessidade de nos aninhar, sem tempo definido, nos braços de alguém que nos proteja desta dor miudinha. Mas quando isso não é possível, permitimos que algumas lágrimas nos escorram pelo rosto, respiramos fundo, cerramos os dentes, batemos punho e tentamos reerguer-nos. São lutas injustas, que não podemos controlar e tão pouco contribuir para que o desfecho seja diferente. Mas podemos sempre relembrá-las e perpetuá-las, podemos aprender com o seu exemplo de luta, podemos ambicionar uma vida mais fiel ao que somos e queremos alcançar. Assim tudo fica um pouco mais simples, um pouco mais tolerável. A morte fica um pouco menos pesada... na esperança de que de amanhã em diante, a falta se torne, aos poucos, mais suportável! 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Creepy is the human being that ignore a hungry brother!



E quem menos tem é quem mais dá. Sempre foi assim. Sempre será. Pelo menos enquanto houver lembrança da dor que as vicissitudes da vida provoca na alma e na dignidade do ser humano. Resta a certeza de que todas, mas mesmo todas, as acções desinteressadas e honestas têm a sua recompensa... nem que seja em forma de paz de espírito!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Daniel Serrão.


Soube há pouco que Daniel Serrão foi atropelado e se encontra em estado grave, depois do embate lhe ter causado um traumatismo cranioencefálico. Estou perturbada, como fico sempre que alguém sofre um atropelamento, exactamente com este diagnóstico. São traumas! 86 anos de uma vida de ensinamentos fulcrais para o desenvolvimento da sociedade. Da última vez que privei com ele foi num congresso sobre envelhecimento activo, em que ele defendia com todas as suas forças a necessidade da sociedade apostar num envelhecimento com qualidade. Sempre lhe senti um entusiasmo com a vida, nunca um pesar associado à idade. É o que chamo de espírito jovem. E agora estou com medo das consequências deste acidente gravíssimo. Não consigo sequer imaginá-lo a viver privado da sua independência. Eu sei que são situações da vida, azares como outros tantos, mas esta situação faz-me reviver a conversa sistemática dos domingos em que o meu avô: "antes a morte que viver feito vegetal e depender de terceiros!" Que a medicina, que tanto amou, esteja com ele e o faça voltar ao que de melhor sabia fazer: inspirar o Homem a viver com saúde, qualidade e, principalmente, feliz!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


A contrapartida de se ser uma pessoa demasiado positiva, compreensiva e naturalmente divertida é o facto de não se dignarem a tolerar e a consentir que tenhamos dias de neurose, em que somos amargos e irritantes. Parecem virgens ofendidas, como se não nos fosse permitido ser humano. Questiono-me seriamente se valerá a pena tamanha entrega, tamanha diferença, tamanho entusiasmo se, ao mínimo deslize, somos logos acusados de pecado capital. Mal habituados, é o que é!

terça-feira, 15 de julho de 2014


As críticas negativas, aquelas que são dedos apontados aos defeitos que sabemos que temos, doem. Tentamos mostrar que não, que somos fortes e que nos passam de raspão mas o que é certo é que magoam. Da primeira vez que dizem friamente que tens "problemas emocionais", sem um pingo de compreensão no olhar, dilaceras-te por dentro. Entras num choque de realidade, mesmo que saibas que de alguma verdade se trata, uma vez que o som de tal dureza faz mossa no coração e na alma já desgastados. Questionas-te durante meses que fizeste tu de tão louco, de tão absurdo, de tão surreal para que, à face do que conhecem de ti e do teu passado, te acusem tão injustamente. Questionas os teus, um por um, como se de uma obsessão se tratasse. A resposta, surpreendentemente, é diferente daquela que te querem fazer crer. Mesmo assim não acreditas e precisas de uma amostra considerável, não vá a tua baixa auto-estima e a tua insegurança fazer-te pensar que é tudo amabilidade de quem tem medo que te desfaças em cacos. Mas não é. Por estranho que pareça, os mesmos inquiridos que respondem positivamente são aqueles que fazem críticas a detalhes que querem ver mudados, sim, mas com a particularidade de oferecerem soluções e transbordarem amor, paciência e disponibilidade. Refazes-te, dia após dia, entre obrigatoriedade de registares ganhos e perdas que visam melhoras. Lês e aprendes, conheces e dás a conhecer. Investes em ti e sabes que estás longe, muito longe da perfeição. És mais amarga e desconfiada, mais solitária mas mais feliz, com mais paz e tranquilidade. Mais dependente da família da qual eras independente e independente daqueles que só estão presentes às vezes. Reergues-te. Percebes que não te podes deixar afogar num mar de exigências que se dão num só sentido. Libertas-te do peso do que não serve mais. Até que te voltam a acusar do mesmo. Desta vez não são os olhos sem piedade, é mesmo a voz. Entristece-te novamente a falta de alternativas dadas. Entristece-te uma acusação sem apoio para a mudança. Entristece-te que se crie uma verdade em minutos, sem olhar para o todo de que se tem conhecimento. Já dizia o sábio que só devíamos apostar em críticas positivas. Deitar abaixo todos conseguem... agora ajudar a reerguer, amparar na luta, dar o braço e o peito como apoios para o caminho é que é mais difícil. Não te sentes dilacerada com o comentário porque és uma pessoa bem diferente do que eras, que ao longo do caminho foi ganhando maturidade e discernimento e já não se coloca em causa por tão pouco. Não deixando de te sentires um pouco desiludida e triste, claro está. O sentimento pode ser recíproco, não duvidas, mas há acusações que, com um pouco de amor e cuidado ao serem abordadas, têm tudo para correr bem e surtir efeito. Já o contrário não é tão viável. Sentes-lhe a falta, é um facto, mas ainda estás muito magoada, sem perceberes porque é que preferem sistematicamente acusar-te a apoiar-te. Um dia saberás pequena. Um dia!

sábado, 28 de junho de 2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ahhhhhh, como tinha saudade da má rés!


Uma pessoa está ao telefone a atender o marido de uma paciente com cancro, cujas dúvidas são legítimas. Uma pessoa não ouve a porta a abrir e outro utente a entrar. O contacto telefónico mantém-se, iniciando-se outro para conseguir resolver o problema daquela pobre mulher aflita. No fim do segundo contacto, a voz abrupta do utente em espera. Havia razão para estar chateado porque eu não o tinha atendido ainda... razão essa que se perde, no meu ponto de vista, quando a má educação surge! Eu não estava a brincar, nem tão pouco a fazer de conta que não o tinha visto para não o atender. Eu não o ouvi a entrar por estar deslocada da área de atendimento e a resolver outros assuntos igualmente importantes e, somente por esse motivo, não o atendi. Mesmo após explicação, a estupidez e altivez arrogante manteve-se. Eu atendi o senhor, sendo o mais profissional que consegui... mas por dentro só me questionava acerca das razões que leva alguém a ser tão intransigente e mal educado com os outros, julgando-se perfeito. Lembrar-me de rompante que ele também tinha cancro fez-me constatar que, em alguma pessoas, nem mesmo o risco de vida lhes adoça a ruindade! O que vale é que a maioria não é assim.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Da VERGONHOSA abstenção nas Europeias 2014!



Sinceramente não entendo! Questiono-me seriamente o que leva as pessoas a destituírem-se dos seus deveres. Repugna-me as críticas que sucederão, vindas daqueles que tiveram algo melhor para fazer nas largas horas em que as urnas estiveram abertas. A inversão de prioridades que observo nesta sociedade deixa-me doente. O voto, mesmo em branco, demora pouquíssimos minutos do nosso precioso tempo. O que é que quem não vota poderá perder durante essa altura? Se não houver um ganho directo com uma atitude da nossa parte já não há razões para exercer um direito e dever cívico? Estamos a chegar a este egoísmo e egocentrismo todo? É que se estamos eu não quero que me globalizem a tal. Cresci a conhecer o esforço de quem lutou por uma democracia. Cresci a valorizar os direitos que hoje tenho mas também os deveres que me estão inerentes. Cresci a exercer uma escolha e a arcar com as suas consequências. Cresci com responsabilidades e compromisso. E isso, infelizmente, faz falta a muito boa gente! Sinto-me envergonhada por tamanho desmazelo. E não, nada seria tão importante e tão inadiável que não nos pudesse fazer "perder" uns minutos. E eu também tive um domingo extremamente ocupado.

sábado, 26 de abril de 2014

Ahhhh o meu mau feitio, que é como quem diz, a minha vincada personalidade!


Eu já tive namorados que não eram do mesmo clube que eu. Respeitava a escolha deles, como eles respeitavam a minha. Havia picardias típicas, baseadas em bocas parvas mas sempre engraçadas. Era viciante e saudável aquela disputa em alturas de confrontos directos. Mas nunca, nunca mesmo, houve falsos moralismos para agradar o outro, que é como quem diz, nem eu nem eles sentíamos necessidade de fazer de conta que gostávamos muito do outro clube quando não era de todo verdade. Nós queríamos que o nosso vencesse e se o outro escorrega-se e nos ajudasse nas contas, melhor! Não éramos doentes por esta temática mas também não dávamos a outra face de mão beijada. Havia orgulho em ser de tal clube, com os "ódiozinhos de estimação" típicos por jogadores, treinadores e/ou presidentes. Sempre vivemos bem com isso, sempre fomos fiéis a um gosto que nos vinha da alma. Ponto. Não tínhamos de fingir para agradar. Benzadeus! Agora quando as redes sociais nos mostram o contrário, em prol do amor que se tem ao outro, numa visão de quase anulação para agradar, eu começo a entender o porquê de continuar sozinha! Secalhar é personalidade a mais nos gostos. É, tem de ser isso!

* Note-se que se trata apenas de um banal exemplo. Daqui a questões mais sérias e determinantes vai um passinho... e é isso que me "preocupa"! 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Os cérebros limitados!


Pessoas com este problema incomodam-me. Sério. Fazem-me espécie. E não falo das pessoas com pouca literacia ou com baixa cultura. Falo mesmo de quem se julga dono e senhor da verdade, que se limita e impede a qualquer tipo de explicação. Tenho uma utente dessas. Cria situações naquela mente pequenina, tantas vezes de forma errada que, quando lhe vamos explicar que nada do que idealizou é viável ou correcto, começa a acusar-nos de elevação de voz e desrespeito para com a sua pessoa. Eu estou em crer que há o limite do aceitável. E o meu tem-se alargado mais do que alguma vez supus. Quando esta pessoa não tem argumentos ou se bloqueia a entender a explicação que estou a dar, lá vem o papel de vítima. Não há pachorra senhores. Não há. E vai embora melindrada, injustiçada e sofredora, como se a culpa fosse minha pelo facto de me interromper a explicação e me acusar de querer beneficiar a farmácia em prol da miséria dela. Menos, muito menos burrice e estupidez. Hoje é segunda!

sábado, 29 de março de 2014

FACTO #142


O slogan da minha vida bem que poderia ser: "Quer arranjar alguém? Quer trazer de volta a paixão à sua vida? Procura a estabilidade? Contacte-me. Tem diante de si o amuleto mais eficaz para atrair o amor! Infalível." Estou em crer que devo ser uma qualquer deusa amaldiçoada à nascença e que é necessário aquele quebrar do feitiço que vemos nos desenhos animados da Disney. Parece-me. Um dia, quem nos orienta lá do alto, decidiu que seria bonito dar-me esta missão de transição no mundo, de fazer as outras pessoas acharem o caminho a seguir, de verem o oásis perdido. Ele vai-se rindo. Eu nem por isso. Já não está na hora de mandar o tal beijo ou coração ou cérebro ou fígado ou o raioqueoparta do grande amor para ver se se dá a volta a este enguiço? Digo eu. É que à vontade não é à vontadinha!!! Mau... 

quarta-feira, 26 de março de 2014


Eu, que até sou apologista que as pessoas demonstrem os seus afectos e mimem as suas pessoas especiais no Facebook e afins, sou também aquela que não acha piadinha nenhuma a bocas foleiras de superioridade face a terceiros e manifestações de uma felicidade suprema que, naquelas cabeças, toda a gente inveja. Assim sendo, nunca é demais uma gargalhada e um encolher de ombros quando se lê E já que a nossa felicidade incomoda tanto, vamos cuidar de ser ainda mais felizes e incomodar muito mais!, vindo da pessoa que veio. Mas depois penso que ela namora com quem namora e, secalhar, faz um bocadinho mais de sentido. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Se isto não tivesse acontecido comigo eu diria que era mentira!


Como todos sabem, a minha vida é dotada de uma especialidade e dramatismo rebuscados. Como eu andava com uma vida estável demais, o universo decidiu presentear-me com um assalto, daqueles à séria, à mão armada, com facalhões e o susto todo a que se tem direito! Uma maravilha de situação, portanto, a anteceder o fim de semana. Eu nem era para falar nesta merda aqui mas uma pessoa assiste a cada anormalidade de jornalistas a tentarem redigir notícias e fica com uma ligeira vontade de lhes alinhar os chakras... com uma punhada nas trombas, como dizia, e bem, o Nunes! Então não é que uma pessoa que se diz jornalista, de um daqueles jornais diários manhosos e dados às desgraças alheias, se lembra de escrever uma mini notícia sobre o assalto de que fui vítima e consegue o grande feito de, em 6 mini frases, dar 5 informações erradas? Dia errado, pessoa que sofreu o assalto errada, valor roubado errado, entrada dos agressores errada, fuga errada. Eu continuo a achar que não devemos confiar e escrever tudo aquilo que nos dizem. Se a pessoa que se diz jornalista queria alertar a população para esta desgraça devia fazer o melhor que pedem aos jornalistas: fidedignidade de informação. Se numa ninharia de notícia cometem esta atrocidade de informação, não lhes gabo a sorte quando lhes for exigido algo mais avançado. Comprometem-se em segundos! Digo eu que fui vítima e, por acaso, até lá estive! Ganhem juízo e não me lixem mais a paciência. Ela anda curta para anormais... a todos os níveis!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Deambulações madrugadoras!


A noite já vai longa e, enquanto tomava banho, tentei delinear uma metáfora que explicasse, como de um eufemismo se tratasse, tudo aquilo que queria registar aqui hoje. Não fui, de todo, bem sucedida. Então pensei que, se fosse fiel à minha brutalidade, talvez a coisa se processasse. Não sei se vai ser o melhor, mas o que é certo é que não ando com muita paciência para ser politicamente correcta. E agora, bem agora, enquanto escrevia esta preocupação duvidosa que me assolava, senti que devia conjugar ambas as opções. Não sei. Estou confusa. Mas aqui vai. 
Se não podemos forçar sentimentos, também não podemos forçar formas de ver, encarar e viver a vida. Ponto final. A pessoas que se apegam facilmente e que pretendem compromissos não se lhes pode exigir que ajam por prazer, como a pessoas que não se querem comprometer e que conseguem separar bem as águas não se lhes pode exigir que alinhem em compromissos. Pelo menos de uma forma um tanto leviana. A menos que queiram, se mentalizem e entrem de livre vontade nesse caminho. A meu ver, quando alguém percebe e assume o que pretende para a sua vida, até prova em contrário, deve ser prática e objectiva a seguir o trilho que leva a alcançar o caminho que quer percorrer. 
Porque carga de água é que irei até ao Porto, gastar tempo e recursos, quando pretendo instalar-me em Lisboa? Posso regressar ao Porto, em modo turista, recordar o quanto me é importante nas lembranças que a ele associo, respirar-lhe o odor da meninice das experiências que lá vivi. Mas o meu destino é Lisboa. Não quero, não posso e não é necessário ir lá dar a volta, instalar-me só porque terceiros gostariam que eu o fizesse, para seu próprio prazer. Por mais que me tentem convencer a alinhar numa aventura fugaz, bem louca e prazerosa, eu irei focar-me exactamente na primeira parte: fugaz! Não, já não tenho vontade de perder tempo em algo que sei que não corresponde ao que procuro. E tomo esta consciência com a maior paz que há memória no meu ser de quase 27 anos. 
As pessoas não estão, nem podem estar todas, no mesmo comprimento de onda. E o truque está em não nos revoltarmos, nem com elas nem connosco, e deixarmos que ambas as partes sigam o trilho que mais as deixará felizes. Sem dramas. Porque as escolhas pessoais de cada uma das partes tem o seu porquê, o seu objectivo. Ou, pelo menos, deviam ter. Só não me peçam para tolerar e aceitar que fiquem fulas e ofendidas. Porquê? Não têm que o estar. 
Não ambicionarmos o mesmo, neste momento ou para sempre, não comporta nenhuma obrigatoriedade de corte de relacionamento. Lá porque não caminhamos unidos não quer dizer que não possamos caminhar lado a lado. Lá porque não se cede ao fácil, em prol do que se sonha e ambiciona, e se explica isso mesmo, não faz da outra parte um ser desrespeitoso e rude. Tomara que todos soubéssemos um pouco mais o local onde pretendemos chegar, em vez de andarmos constantemente a metermo-nos em atalhos que desconhecemos, somente pelo doce sabor fugaz da aventura. Há o tempo em que isso faz todo o sentido, mesmo com desconhecidos ou com conhecidos a que em breve diremos adeus, e há o tempo em que o que mais pretendemos é nos perder com aqueles que faz todo o sentido "andar em voltas rectas na mesma esfera", como dizia o outro! É tudo uma questão de objectividade, continuo a frisar.
Com a idade tornamo-nos práticos, concisos e claros. Eu, pessoa que tinha e que continua a ter um bocadinho problemas em lidar com perdas e com cortes um tanto definitivos, tive que aprender a, pelo menos, saber lidar com esse medo que me fazia agarrar às coisas de uma forma quase obsessiva. Há peso que só faz sentido carregar durante certas etapas da vida. Ele terá que ser libertado na altura certa. Para o bem de todos. E lá porque um dia nos libertei e nos forcei a trilhar caminhos diferentes, não implica que tenha esquecido a história que nos uniu. Hoje não faz mais sentido mas o carinho e cuidado construído permanecerão como fonte eterna de ligação. Porquê então toda a dor, frustração e irritação se concordas que queremos coisas diferentes? A noite ajudar-te-á a reflectir. Eu já encontrei a minha resposta. Um beijinho no coração.