Há muita praia brilhante por este Portugal fora, há... mas esta é a minha praia! É a praia que alberga as histórias felizes e os percalços da minha vida até então. É dotada de uma imensidão que nos dá liberdade. Tem mil e uma maneiras de providenciar o melhor nascer e pôr do sol. Tem esplanadas artísticas, tem romarias tradicionais, tem novos e velhos felizes e uma muralha de gente que apenas deslumbra o poder da natureza. Tem dunas que nos reservam paz e um paredão que esconde os desejos e as aventuras mais secretas. É o melhor sítio do Verão, quando os amigos e a família se encontram reunidos. Eu sou uma pessoa que adora conhecer e deslumbrar-se com as maravilhas que pelo mundo estão escpalhadas... mas a Torreira será sempre a responsável pelo sal da minha vida! É a praia do meu coração... e todos vós a podem conhecer! 'Bora lá?!
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
FACTO #147
Os meus pais foram ao Santo António. Trouxeram-me um manjerico vivaço. Eu não percebo nada de "cuidados vegetais" mas, até eu, percebi que pouca água e algum abafo não eram, de todo, as condições ideias. Se depois do choque de o ver mais morto que vivo o consegui ressuscitar, a Selecção Portuguesa também consegue melhores feitos do que aqueles que praticaram ontem! Água, determinação e oração. Comigo funcionou.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Celebrar a vida!
Há 8 anos, no dia de ontem, o meu avô faleceu. Há 72 anos, no dia de hoje, o meu avô nasceu. Se fizerem bem as contas podem constatar que ele morreu antes de fazer 65 anos, como sempre disse que aconteceria. Ainda estou na dúvida se o encaro como vidente ou, somente, como prova viva de que aquilo que queremos e dizemos com convicção, na maior parte das vezes, tem muita força e acontece. Já perdi anos demais a magoar-me com a perda que me foi imposta há 8 anos. Ninguém digere uma falta repentina em meia dúzia de meses. Aliás, passaram 8 anos e para mim é tão presente como se tivesse acontecido há horas. Mas, como estava a dizer, já perdi tempo demais a centrar-me no acontecimento que mo roubou. Este ano decidi centrar-me no acontecimento que mo ofereceu. Com a vida dele a desabrochar em 1942, iniciava-se todo o processo que me iria originar a mim, 45 anos depois. Este ano deixei o dia 4 de Maio continuar a ser o dia em que a minha amiga Mónica nasceu e hoje, dia 5 de Maio, o dia em que o mundo, o meu pequeno grande mundo, deve celebrar a vida que o meu avô João teve e honrou. Deixemos a morte de lado e celebremos a vida, mesmo que esta já tenha deixado de existir fisicamente... porque dentro de mim está tão presente como de todas as vezes que tive a oportunidade de a partilhar com ele! E é por todos aqueles que nos valorizam, que nos amam, que nos aguentam e lutam a nosso lado que vale a pena celebrar sempre a vida... mesmo que seja de um ponto de vista diferente! Onde quer que estejas, não te esqueças de quem fomos... e somos!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Não é de todo uma boa altura para me lixarem o computador aka desejos do coração para 2014!
E estamos próximos do fim de ano e uma pessoa quer fazer balanços do Natal, das aventuras, dos saldos, do ano que passou, das aprendizagens e de todas essas coisas que nos tornam melhores pessoas e NÃO PODE!! Não pode porque certas criaturas endiabradas decidiram que era boa ideia aplicar um ataque de karaté do nada e, em vez de se defenderem mano a mano, não! Toca a utilizar o portátil. Grandessíssimos filhos da minha rica tia que só tem culpa de lhes ter passado os genes maus. Agora toca de ir ao mealheiro e dar arejo às notas que IAM ser usadas para vícios infantis. Não tenho pena nenhuma e para a próxima aprendem a usar uma almofada. Se não vier cá antes, adorados seguidores, entrem nesse novo ano com a esperança e a determinação renovadas, não se esqueçam que tem que ser com os dois pés, cuecas da cor do que querem atrair, um saltito de fé com uma notita na mão, doze passas ou amendoins ou outro fruto seco qualquer a simbolizar desejos que TÊM que tornar reais. E divirtam-se! Divirtam-se muito amanhã à noite como em cada dia das vossas vidas! 2014 não é mais que a certeza de 365 novas possibilidades de lutarem por aquilo que querem e de se transformarem no melhor que podem ser! Que seja mágico... e real! Vivam*
terça-feira, 5 de novembro de 2013
A mecânica automóvel explicada pelo meu pai!
Pai - Sabias que tinhas um pisca traseiro fundido?
Eu - Eu ando dentro do carro. A menos que o pare por algum motivo e o pisca esteja ligado, é um bocado difícil aperceber-me, não é?
Pai - Não, não é. Quando ligas o pisca é normal que ele faça tic, tic, tic. A partir do momento em que ele faz tic tic tic tic, como se fosse uma bomba prestes a explodir, é caso para atingires que ele está fundido!
Eu - Ahhhhhhhhh! Era isso que significava aquele barulho irritante. Pensei sempre que fosse mau contacto.
Pai - Para ti tudo é mau contacto. Deves-me 1,10€! De nada.
Eu - Eu ando dentro do carro. A menos que o pare por algum motivo e o pisca esteja ligado, é um bocado difícil aperceber-me, não é?
Pai - Não, não é. Quando ligas o pisca é normal que ele faça tic, tic, tic. A partir do momento em que ele faz tic tic tic tic, como se fosse uma bomba prestes a explodir, é caso para atingires que ele está fundido!
Eu - Ahhhhhhhhh! Era isso que significava aquele barulho irritante. Pensei sempre que fosse mau contacto.
Pai - Para ti tudo é mau contacto. Deves-me 1,10€! De nada.
sábado, 2 de novembro de 2013
A minha vida dá um wallpaper! #4
Muitos tendem a renegar esta tradição porque não é tradicionalmente portuguesa, como dizem. Eu, desde que me lembro, sempre a celebrei na escola e durante o dia. Tínhamos permissão para levar fatos alusivos ao tema e era um dia de avacalhanço total. Havia um concurso interno para ver quem ia mais hardcore, que naquela altura limitava-se a quem ia o mais horroroso possível. Quando passei para o 2º ciclo, eu e mais um grupo de amigos, criamos a parte nocturna da celebração. Encarnávamos as personagens de uma forma mais séria e, finda a recolha dos doces, que ainda durava umas horitas, íamos dividir os mesmos para a porta do cemitério que era para tentar dar um ar mais medonho ao acto. De ressalvar que só íamos para lá para nos armar, visto que era um lugar extremamente iluminado. Éramos uns borrados do pior, admito. Com o passar do tempo deixamos de ser o único grupo a celebrar desta forma e fomos perdendo território de doces para aqueles que iam mais cedo que nós. Virámo-nos então para os bailes de Halloween. Tínhamos que usar o estatuto de membros da associação de estudantes para alguma coisa. O que mais me deixava em pulgas era a parte da decoração. Desde teias e aranhas gigantes, a sangue groselha em copos, a gomas em formas de olhos e dentes, a máscaras de cartolina, a toneladas de gel e spray nos cabelos, a maquilhagens que mais parecia que estávamos a sofrer de hipoglicémia, eu era mesmo feliz com toda a parte de pensar e fazer acontecer esta festa. E é por me ter divertido tanto, que incuto isso nos meus descendentes. Já o fiz com a minha irmã e agora com os meus primos. No sábado passado sim, por vezes temos que antecipar as festas fomos todos arranjar vestimentas a rigor e, depois de devidamente equipados, fizemos um lanche monstruoso. Após solicitação das crianças para não me esquecer do devido registo fotográfico, ainda fizemos uns ditados e umas partidas de Wii e, no fim, foi vê-los deslocarem-se para casa com um sorriso de satisfação no rosto e cansados por terem sido crianças, cuja única preocupação era experimentar a felicidade. Assim vale a pena, seja qual for o motivo da comemoração.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Tenho as melhores pessoas do mundo. Porque tenho e, tantas vezes, me esqueço disso. Depois de uma sobremesa que não correu como esperado, fui ao café, tentar ver se apanhava os de sempre para falar mal dos céus e da terra e do meu estado de nervos. É costume ao domingo, nomeadamente quando tenho tarefas a concluir à pressão e a vontade é menor que zero. Tínhamos um café inteiro à nossa disposição. Vazio. Mas ficamos os 3 sentados no mesmo banco, apertadinhos, a beber Heinekens e a falar da vida. Chega um quarto, pede o seu kit e junta-se à trupe. O calor humano é motivador. Automaticamente pedi emprestado um computador e fiz mais de metade da apresentação tendo,a muitos km's de distância, alguém que insistiu também na companhia. E, para finalizar, ao chegar a casa tinha uma tentativa de ressuscitar a sobremesa morta. Duvido que seja bem sucedida mas foi um gesto bonito. E agora cá estou, babada, e com a certeza de que nem sempre valorizo como é necessário. Mas não duvido, o que já não é mau.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Estão prestes a descobrir a nova funcionalidade do Seretaide Inalador!
Esta "bomba" inaladora é usada na prevenção de problemas respiratórios, como a asma. Um dos meus queridos gémeos, que herdou o gene defeituoso do pai, anda a fazer um tratamento com a dita. Posologia: uma inalação ao deitar. O que é que o rapaz se lembrou de fazer um dia destes? Aceder à mesma sem ninguém ver e usá-la para... MATAR MOSCAS! "Estavam a incomodar..." disse ele com a maior naturalidade, quando a minha tia reparou que a mesma acabou um mês antes do tempo!
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
Hoje, enquanto conduzia e regressava a casa, as lágrimas percorreram-me o rosto. A saudade invadiu o meu pequeno coração e senti-me a sufocar. Ao pensamento veio-me a batida certeza de que NUNCA mais verei o meu avô. Nunca mais lhe verei os olhos verdes, nunca mais lhe sentirei as rugas, nunca mais lhe reconhecerei o toque, nunca mais ouvirei o som da sua voz grave. E a palavra NUNCA começou a martelar cá dentro, no sitio onde sentimos, e senti-me toda a doer. NUNCA MAIS é o tempo todo que me resta de vida. E eu só queria poder reverter a situação. O tempo ameniza a situação de perda mas quando esta volta ao consciente, tão clara como a coloquei, ainda dói e vai sempre doer, não me iludo. Sentir-me-ei sempre incompleta mas feliz por ser parte do seu legado. 7 anos depois sinto-te a falta como no primeiro dia, João!
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
O S. Pedro já se acabou mas está-me a apetecer falar no S. João!
Há mais de 10 anos que descobri a diversão que os Santos Populares geram em malta tasqueira e tradicional como eu! E por mais que digam que aquilo é sempre a mesma coisa, eu não posso concordar. Todos os anos há sempre algo de novo que nos faz apaixonar um pouco mais pelo evento. Este ano não foi excepção. Com o pessoal todo a cortar-se, peguei na família e lá fomos nós. Certos enganos anteriores pelas ruas do Porto revelaram-se úteis para um estacionamento perfeito. Chegamos ao Porto a meio da tarde e, infelizmente, ainda não tinha reparado na beleza daquelas ruas e do povo que as povoa alegremente nesses dias. O Jardim da Cordoaria, as Fontaínhas, os Aliados, a Ribeira... tudo colorido com sorrisos, com os martelinhos, com o cheiro dos manjericos e da sardinha assada. É a alegria de um povo que se junta à luz do dia para comer farturas e beber minis, que se esquece dos problemas e sai à rua para desejar, com a alegria e orgulho que o caracteriza, uns bons festejos. É um povo que abre as portas de suas casas e monta a mesa na rua para almoçarem e jantarem e fazem dos visitantes desconhecidos os seus convidados. Sem estarmos a contar, fomos descendo das Fontaínhas para a Ribeira e fomos encontrar um bairro de portas abertas. Aquelas calçadas estreitas, de porta com porta, povoadas de escadas e escadinhas, primavam pela cor dos seus enfeites, pelos sorrisos de quem grelhava febras e assava sardinhas, pela música tradicional portuguesa que tinha o seu encanto exacerbado nessa altura. Sentimo-nos turistas no nosso próprio país, numa terra que tantas vezes visitamos mas que nos faltou o tacto para valorizar os pormenores. Seguiu-se a beleza de um Douro ao pôr do sol. E para acabar os festejos em beleza, demos por nós a jantar a bela da sardinha e da salada de pimentos, devidamente instalados numa rua de completo arraial. O som dos martelos, dos apitos, das palmas e o fumo da sardinha intensificaram-se com o chegar da noite e o céu começou a ser povoado por balões iluminados, que carregavam em si desejos recônditos. Como sou uma pessoa de convicções fortes, não descansei enquanto não lancei um balão desses, vontade essa que tinha sido cultivada em 2011. A primeira experiência não correu bem, dando origem a um fogo controlado. A segunda experiência necessitou de uns ajustes. Mas à terceira foi de vez, como dizem, e o belo do balão (que tinha inscrito impertinentemente Love is...) lá subiu os céus do Porto, para êxtase total dos que cá ficavam em baixo a olhar embevecidos. O regresso a casa sucedeu bastante cedo para o que é habitual mas, sem qualquer sombra de dúvida, foi um dos festejos mais ricos que tive em vida! Para o ano estou a modos que a ponderar reportar o festejo de Santo António. Vai na volta e até sou abençoada!
sábado, 27 de abril de 2013
Hoje é um dia triste!
A morte é triste. Digam o que disserem, acreditem na vida pós morte ou não, o primeiro sentimento, perante a perda de um dos nossos, é a tristeza. Essa tristeza intensifica-se e agrava-se à medida que a ligação que tenhamos com a pessoa seja maior ou menor. Hoje morreu o irmão da minha avó. Estou triste, secalhar não pela perda em si, visto que era uma pessoa que a maior parte da minha vida esteve afastada, mas sim porque foi um ser humano que passou os últimos meses da vida dele numa instituição de cuidados paliativos longe de casa, tendo como única visita assídua a minha avó. Ele toda a vida esteve emigrado, tendo regressado há meia dúzia de anos a Portugal. Era um bon vivant, cismadinho como nunca vi, mas era boa pessoa. Depois da morte da mulher, apaixonou-se cegamente pela cunhada da minha avó, também ela viúva, mas teve o maior desgosto da vida dele. Foi tratado como lixo, quando ela deixou de se interessar por ele, afastando filhos e família que só lhe queriam abrir os olhos, que só queriam o bem dele. Valeu-lhe a minha avó, que tantas vezes foi esquecida. Valeram-lhe os meus pais, os meus tios, eu, a minha irmã e os meus primos que, por amor à minha avó, tudo fizemos para lhe salvar a vida, para a tornar menos insuportável. Mas de nada adiantou. Um efeito secundário da anestesia geral atirou-o para uma cama de hospital, após uma intervenção cirúrgica para extrair um cancro nas vias respiratórias. Traqueostomizado, revoltado, acamado, aflito em secreções produtivas e cada vez mais débil, viu-se obrigado a estar longe de casa porque necessitava de cuidados durante 24h. Levei a minha avó a visitá-lo algumas vezes e foi uma realidade arrepiante aquela a que assisti. Passei a tarde do dia 1 de Janeiro nas urgências do hospital, para que ela pudesse fazer-lhe companhia enquanto estava lá encostado a um canto, no meio de tantos desatinos e sufocos, à espera de uma alta que demorou horas a chegar. Estou triste porque morreu sozinho. Estou triste porque acredito que muita coisa ficou por ser dita, muitas dores ficaram por ser partilhadas. E, para ser sincera, é nisto que me ponho a pensar vezes sem conta: o triste final que tantos seres humanos têm. Abandonados. Presos a uma cama. Deprimidos. Em agonia. Solitários. Em constante choro. Em sofrimento. Hoje estou triste porque ele só tinha a minha avó para lhe agarrar a mão, para lhe acalmar a revolta, para estar presente quando acordava de um sono de cansaço, ao domingo à tarde. E acredito que tantas vezes lhe passou pela cabeça onde estariam os amigos do banco da praça, os parceiros das cartas, os compadres, a mulher por quem se apaixonou e os filhos. Acredito que as lágrimas que lhe corriam pela cara quando nos via a nós, aqueles a quem não deu o devido valor, eram de agradecimento e de consideração pelo que estávamos a fazer por ele, nesta fase tão crítica e derradeira da vida. Ou eu quero acreditar que seja assim. Tenho receio que o meu fim seja semelhante. Sério que tenho. Porque a dor que advém da perda de alguém para a morte nem sempre é tão atroz e agonizante comparada com a dor de simplesmente ser esquecido, ser deixado a jazer sozinho, sem carinho e palavras de conforto, sem o calor de um abraço, de um beijo. Demos aquilo que nos foi possível dar. Não foi o bastante mas espero que tenha sido capaz de atenuar, por momentos, a sua dor. Paz à sua alma.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Criaram um monstro!
Convidaram a minha mãe para ir ao programa "A tua cara não me é estranha" do passado domingo. Quando ela falou disso cá em casa, a primeira pessoa a dizer que sim foi o meu pai! O homem entrou em êxtase. Toca de ir confirmar horários para garantir que não estava a trabalhar. Não estava e lá foram os três. Quando cheguei a casa do trabalho vi que tinham colocado a box a gravar para mais tarde poderem recordar. Hoje, ao entrar em casa, fui recambiada para a sala onde visualizei o belo do alarido em que foi apanhado pelas câmaras e transmitido para todo o Portugal. Gostou tanto da aventura que já equaciona ir às galas do Big Brother. Eu só dizia: tens a certeza que és meu pai?! Depois olhei-me ao espelho e tive a confirmação.
sábado, 6 de abril de 2013
Há gestos que merecem ser considerados!
O meu avô paterno já foi um ídolo e já foi uma desilusão. É uma pessoa que tem um dom especial para flores e abelhas. Foi um homem que se viu sozinho, com dois filhos homens para criar, no auge da vida. Foi um homem que precisou de se voltar a casar. E foi aí que começou uma grande panóplia de mini erros que lhes tem custado a presença dos seus de sangue. Nesta Páscoa, dado o tempo que estava, não tive a mínima vontade de sair de casa para ir fazer "capelinhas" e fazer visitas por obrigação. Não me apeteceu e o que é certo é que não fui. Criou-se em mim uma certa aversão a fazer coisas por obrigação ou respeitando o politicamente correcto. Mas no dia seguinte, na segunda-feira, ao passar numa rua próxima de onde mora, fiz inversão de marcha e parei lá. Ele estava a estender a roupa. Entrei e ficamos uns 30 minutos na conversa que, por muito estranho que pareça, fluiu livremente e não foi forçada. Como as flores são o seu forte lá andei com ele, no alto dos meus saltos, pelo meio dos campos de cultivo a examinar minuciosamente as suas novas aquisições. Quando entramos na casa ele chamou-me a atenção para 5 jarras improvisadas com camélias que, como por magia, tinham florescido imponentemente nesta Páscoa. O meu ar deslumbrado não lhe deve ter sido indiferente e ele pega na mais bela camélia que lá tinha (a branca da foto!) e ofereceu-me. O espanto e o orgulho inundaram-me o coração e fizeram-me ficar contente com a decisão de regresso que tomei, baseada num passado feliz que um dia ocorreu. E a velha máxima dos favores em cadeia comprova-se mais uma vez. Ainda vale a pena termos gestos bonitos, feitos com o coração, mesmo que seja para aqueles que nos magoam. Mais cedo ou mais tarde o coração dos mesmos falará mais alto e inundará as suas atitudes de graciosidade e entrega. Eu acredito.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Happy Easter is... #4
Sou uma pessoa de tradições. A Páscoa é uma delas. Estou envolvida numa série de pequenas rotinas que, a cada ano que passa, têm um sabor diferente. Sou uma pessoa que gosta de partilhar essas mesmas tradições, tentando que terceiros desenvolvam o mesmo gosto e a mesma conexão que eu a certos momentos. Por isso na Páscoa, faça chuva ou faça sol, com melhor ou pior humor, há flores oferecidas à madrinha, há reunião de família, há imagens em andores que são recordadas, há Via Sacra, há momentos de paragem, em grupo, há inovações na cozinha, há arte, há folar, há visita dos afilhados aos padrinhos, há Ovos Kinder, há Compasso Pascal, de casa em casa, a desejar boa Páscoa, há cruzes enfeitadas com flores, há campainhas a tocar pela rua fora, há partilha de amêndoas entre os mais novos, há o recordar de pessoas que tornam à terra. Mais ano menos ano, o trabalho vai juntar-se a esta grande lista, impedindo que eu viva esta tradição da forma que tenho vivido nestes últimos anos. No dia em que isso acontecer, estarei disponível para me adaptar, com a certeza no coração de que novas tradições serão criadas, tão dignas e gratificantes como estas.
sábado, 23 de março de 2013
A minha vida dá um wallpaper! #3
Estamos aqui num grande campeonato de Wii, em que os prémios são mini-croissants e uma barrigada de riso! Há que tempos eu não sentia isto...
domingo, 17 de março de 2013
Eu tenho o melhor afilhado do mundo!
Tinha acabado de me posicionar no sofá quando os meus pais chegam a casa. O meu pai ficou completamente estático ao pé da porta e começa a representar uma conversa que teve com o nosso afilhado de 6 anos, depois do almoço, enquanto jogavam futebol:
Afilhado - A Tinkerbell?
Pai - Ah?
Afilhado - Eu quero a minha prima, a minha madrinha... Onde é que ela está?
Pai - Foi trabalhar.
Afilhado - Mas foi trabalhar porquê?
Pai - Porque a Farmácia está de serviço.
Afilhado - E porque é que tem que ser ela? Não há mais ninguém?
Pai - Há, mas ela para vir almoçar connosco teve de ir trabalhar à tarde.
Afilhado, encostando-se à parede, amuado - Não tem piada nenhuma isso. Já não jogo mais futebol hoje.
Afilhado - A Tinkerbell?
Pai - Ah?
Afilhado - Eu quero a minha prima, a minha madrinha... Onde é que ela está?
Pai - Foi trabalhar.
Afilhado - Mas foi trabalhar porquê?
Pai - Porque a Farmácia está de serviço.
Afilhado - E porque é que tem que ser ela? Não há mais ninguém?
Pai - Há, mas ela para vir almoçar connosco teve de ir trabalhar à tarde.
Afilhado, encostando-se à parede, amuado - Não tem piada nenhuma isso. Já não jogo mais futebol hoje.
(Passados 15 segundos)
Afilhado - E para a semana? Também está a trabalhar?
Pai - Não, para a semana não.
Afilhado - Então já sabes. Vou para a tua casa jogar Wii... A TARDE TODA! Passa aí a bola...
sexta-feira, 15 de março de 2013
Não me está nada a apetecer ser a culpada pelo desencadear de um ataque cardíaco na minha progenitora!
Cheguei a casa para almoçar e a cara da minha mãe equiparava-se, e muito, à desta foto. Perguntei se estava tudo bem com ela ao que me responde, muito indignada:
- Aquele livro que está na sala, em cima do sofá, é teu?
Era este o livro!
Fui salva pelo chamamento do meu pai mas logo, com toda a certeza do mundo, não me livro de um interrogatório policial! Uma pessoa já não pode economizar em consultas que é logo fulminada... isso, ou a esperança dela numa reconciliação que se esfuma e ela não está a gostar nada da constatação!
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quinta-feira, 7 de março de 2013
São 22.23. Na casa habita o silêncio próprio de quem tem pais turistas. Turistas à força, convenhamos. A casa inundou-se de silêncio porque foi necessária a sua deslocação a França para ver, quiçá pela última vez, uma tia paterna. Esse maldito arruinador de vidas, o cancro, inundou-lhe o sangue há cerca de um ano e teima em fazê-la render-se dia após dia. A viagem que um dia pensei para mim, para eu voltar a conviver, abraçar e acarinhar a tia dos queijos da vaca que ri, oferecia-a aos meus pais. Foi ela quem lhes proporcionou uma lua de mel que nunca conseguiriam ter sem ajuda. Ela que nunca se esqueceu dos sobrinhos quando vinha a Portugal. Ela que era a única capaz de reunir a família toda em grande animação e convívio. Ela que transbordava amor, que oferecia sorrisos, que cultivava a paz. Eu espero ainda conseguir contornar o destino e pôr os olhos em cima da vida que é ela. Mas se, porventura, não conseguir fico com a paz no coração de ter levado até ela as pessoas que, neste momento, faz mais sentido estar a seu lado. Os meus pais e os meus tios. E se o mundo fosse perfeito, o meu avô, irmão dela, teria deixado de lado argumentos incompreensíveis e teria entrado naquele avião com os filhos para estar com a família que é a dela. É só esta a única mágoa que carrego.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Porque é nas datas especiais que mais lembramos a falta que fazem aqueles que já partiram!
Para ti, meu avô... onde quer que estejas!
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