(...) Não gosto de pensar que o homem que nos conseguiu emocionar à medida que nos ensinava a viver o “carpe diem” perdeu a força para o continuar a cumprir. É estranho, isto de confundir a ficção com a realidade, mas é tão fácil querer confundi-las, hoje, é tão fácil achar que a única homenagem justa ao homem que doou o sorriso ao mundo e perdeu o dele é subirmos todos para o topo das nossas mesas e gritarmos “oh, captain my captain”, para não o deixarmos, nunca, sair daquela sala, que há de ser sempre a nossa memória. |Marta Couto in P3|
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terça-feira, 12 de agosto de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Andei de bicicleta a maior parte da minha vida. Não sei se já nasci a saber dar aos pedais mas, o que é certo, é que sempre me revejo com uma triciclo/bicicleta ao lado. Jurei a pés juntos que o carro não me roubaria esse prazer. Ingénua que fui. No ano passado senti necessidade de comprar uma bicicleta. A minha primeira bicicleta nova. Até então só tinha tido bicicletas que já tinham tido donos que não as queriam mais. Diversos eram os motivos e eu nunca me importei com eles. Escolhi-a por me identificar com ela, por impulso de amor à primeira vista, por necessidade de me forçar a não perder algo que me caracterizava. Sei que não vou trocar diariamente o carro pela bicicleta, porque a minha preguiça e pouca resistência física não mo permitem, mas vou retomar a ligação. Ontem fui a casa da minha tia a pedalar. Armei-me em esperta e toca de circular pneus. Comecei a torcer o nariz quando, a meio caminho, o tempo começou a ficar demasiado negro. Senti pingos na testa e nas bochechas ruborizadas. Até que soube bem refrescar. Nos ouvidos soava Artic Monkeys e eu já estava a amaldiçoar a coragem que me tinha feito sair de casa àquela hora, com aquele tempo, naquele tipo de transporte. Quando cheguei convidaram-me para jantar e o regresso já foi efectuado debaixo de um céu carregado de negro. Já não me lembrava da sensação de andar de bicicleta à noite. Já não me lembrava do quão bom é respirar o ar puro, no decorrer da escuridão. Já não me lembrava da maravilha do silêncio das ruas desertas. De dentro de mim brotou o mais sincero sorriso e gratidão por não me esquecer do que é essencial... mesmo que me doam de morte as nádegas e os gémeos! Já não vais para nova, minha filha... mentaliza-te! Obrigado Pai!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Tenho que concordar!
sábado, 14 de janeiro de 2012
I'M FEELING THIS #17
A primeira parte de qualquer cura é aceitar que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
Miguel Esteves Cardoso
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
4 anos... já?!
Parece que foi ontem que a tua partida deixou um gosto amargo nas vidas de quem te amava. Numa noite, tudo mudou! Lembro-me de ter contactado contigo umas horas antes, de uma forma entusiasmada. Trocámos comentários no velhinho hi5 e revivemos momentos hilariantes que passámos juntas. Tu foste dormir e eu continuei a estudar até às 7h da manhã. Acordaram-me às 9h com a notícia. Tudo, de repente, se tornou pequeno para a minha presença. Só podia ser engano, vindo a notícia de quem veio. Até que a minha mãe, em pânico, teve que a confirmar. Estava sozinha, desliguei o telefone em choque e sentei-me na cama. Corri para a varanda. Do alto daquele 6º andar olhava o mundo debaixo dos meus pés e questionava-me o porquê. Nada fazia sentido mas, o vento, sempre me ajudou a acalmar. Fui fazer o exame e o meu mundo só desabou quando o S da Vaselina Salicilada me lembrou o seu bonito nome: SOFIA! Em tempo algum me importou o que me rodeava. Entrei em modo automático, fiz o que tinha a fazer e saí. Sentei-me nos sofás e chorei, ainda mais compulsivamente. Quando me senti com forças, liguei à minha mãe e disse: Vou para casa! Esqueci as responsabilidades, meti-me no comboio, desliguei do mundo e cheguei. Fui em silêncio até casa e refugiei-me dentro de 4 paredes. Quando foi preciso fui ao seu encontro... e lá estava o sorriso maravilhoso a que sempre nos habituou. O ambiente à sua volta era pesado mas eu só consegui focar a beleza daquela fotografia. Não se pronunciaram nem sons nem outras imagens na minha cabeça. E continua a ser assim. No dia do último adeus escrevi-lhe. Igreja cheia, amigos unidos, muito para lhe dizer. Juntamo-nos num canto e só pedi que me rodeassem. Saiu tudo aquilo que foi pronunciado do alto de um ambão para um mar de gente amiga e inconsolável. Saíram palavras de esperança, alegria e força que transmitiam tudo o que aquela menina sempre nos ensinou a ter.
Tudo culminou com a rosa branca que te ofereci. Ofereci e fiquei como que enebriada pelo vento que voltava a envolver-nos. Tudo foi acalmando ao longo dos tempos... mas jamais passará, jamais me permitirá relembrar de outra maneira que não esta, jamais cairá em esquecimento...
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