terça-feira, 30 de abril de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

Hoje é um dia triste!


A morte é triste. Digam o que disserem, acreditem na vida pós morte ou não, o primeiro sentimento, perante a perda de um dos nossos, é a tristeza. Essa tristeza intensifica-se e agrava-se à medida que a ligação que tenhamos com a pessoa seja maior ou menor. Hoje morreu o irmão da minha avó. Estou triste, secalhar não pela perda em si, visto que era uma pessoa que a maior parte da minha vida esteve afastada, mas sim porque foi um ser humano que passou os últimos meses da vida dele numa instituição de cuidados paliativos longe de casa, tendo como única visita assídua a minha avó. Ele toda a vida esteve emigrado, tendo regressado há meia dúzia de anos a Portugal. Era um bon vivant, cismadinho como nunca vi, mas era boa pessoa. Depois da morte da mulher, apaixonou-se cegamente pela cunhada da minha avó, também ela viúva, mas teve o maior desgosto da vida dele. Foi tratado como lixo, quando ela deixou de se interessar por ele, afastando filhos e família que só lhe queriam abrir os olhos, que só queriam o bem dele. Valeu-lhe a minha avó, que tantas vezes foi esquecida. Valeram-lhe os meus pais, os meus tios, eu, a minha irmã e os meus primos que, por amor à minha avó, tudo fizemos para lhe salvar a vida, para a tornar menos insuportável. Mas de nada adiantou. Um efeito secundário da anestesia geral atirou-o para uma cama de hospital, após uma intervenção cirúrgica para extrair um cancro nas vias respiratórias. Traqueostomizado, revoltado, acamado, aflito em secreções produtivas e cada vez mais débil, viu-se obrigado a estar longe de casa porque necessitava de cuidados durante 24h. Levei a minha avó a visitá-lo algumas vezes e foi uma realidade arrepiante aquela a que assisti. Passei a tarde do dia 1 de Janeiro nas urgências do hospital, para que ela pudesse fazer-lhe companhia enquanto estava lá encostado a um canto, no meio de tantos desatinos e sufocos, à espera de uma alta que demorou horas a chegar. Estou triste porque morreu sozinho. Estou triste porque acredito que muita coisa ficou por ser dita, muitas dores ficaram por ser partilhadas. E, para ser sincera, é nisto que me ponho a pensar vezes sem conta: o triste final que tantos seres humanos têm. Abandonados. Presos a uma cama. Deprimidos. Em agonia. Solitários. Em constante choro. Em sofrimento. Hoje estou triste porque ele só tinha a minha avó para lhe agarrar a mão, para lhe acalmar a revolta, para estar presente quando acordava de um sono de cansaço, ao domingo à tarde. E acredito que tantas vezes lhe passou pela cabeça onde estariam os amigos do banco da praça, os parceiros das cartas, os compadres, a mulher por quem se apaixonou e os filhos. Acredito que as lágrimas que lhe corriam pela cara quando nos via a nós, aqueles a quem não deu o devido valor, eram de agradecimento e de consideração pelo que estávamos a fazer por ele, nesta fase tão crítica e derradeira da vida. Ou eu quero acreditar que seja assim. Tenho receio que o meu fim seja semelhante. Sério que tenho. Porque a dor que advém da perda de alguém para a morte nem sempre é tão atroz e agonizante comparada com a dor de simplesmente ser esquecido, ser deixado a jazer sozinho, sem carinho e palavras de conforto, sem o calor de um abraço, de um beijo. Demos aquilo que nos foi possível dar. Não foi o bastante mas espero que tenha sido capaz de atenuar, por momentos, a sua dor. Paz à sua alma. 



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um novo vício... saudável por sinal!



Essa coisa que é estar na 1ª fila de um concerto!


Adianto já que esta situação não é para todos. E também não era para mim desde do incidente dos concerto dos Blasted Mechanism, em que fui atingida nos rins e infligi sofrimento no braço da criatura que me provocou tal dor, com as fortes unhas que ostentava. Adiante. 
Ontem, e finalmente para bem dos meus acertos nesta vida, tive o prazer de assistir a um concerto do Gabriel o Pensador. Já tinha tido hipótese de o ver em 2011 mas ainda bem que deixei passar essa oportunidade, pois era bem possível que hoje associasse qualquer tipo de sentimento depressivo às suas músicas. Fui andando pelo meio da multidão, que não era muita e, sem grandes dificuldades, lá me posicionei nas grades, envolta em finos e muita conversa com quem me acompanhava. Aquando do início do concerto e de toda a euforia vivida, deparo-me com um casal de brasileiros de meia idade, com uma máquina fotográfica que mais parecia um canhão. O senhor educadamente pediu-me para ocupar, por uns instantes, o meu lugar para tirar umas fotos. Eu, como boa pessoa que sou, lá deixei a criatura usufruir do canhão e do lugar privilegiado. Qual não é o meu espanto quando o homem deixa de tirar fotos e se instala nas grades, como se sempre lá tivesse estado. Eu tocava-lhe e ele nada. Pegava novamente na máquina e tirava fotos, horríveis por sinal. Não bastante, ainda começou a deslocar-se na minha direcção e a albarroar-me para trás, para tentar arranjar espaço para a acompanhante. Eu como sou boa pessoa mas não sou tansa, toco-lhe no ombro insistentemente e quando o homem se digna a olhar para mim eu fui clara e referi que aquele lugar era o lugar onde EU me encontrava e que ele devia ter vergonha por se aproveitar das boas intenções das outras pessoas para com ele. Lá saiu a custo e a acompanhante armou uma peixeirada insultuosa contra... o cantor! Escusado será dizer que a música que se seguiu foi a melhor resposta não intencional que aquelas criaturas podiam ter tido. Oh mundo louco!

terça-feira, 23 de abril de 2013




Nem sempre a concretização dos nossos projectos, por melhor e cheios de potencial que sejam, infelizmente, depende só de nós. Nem sempre é fácil digerir que se aproveitem deles, à descarada, colocando-nos completamente de fora daquilo que criámos. Nem sempre é possível sermos bonzinhos e ver o lado positivo da questão, que é o reconhecimento do que fizemos, mesmo que de uma forma invertida. Nem sempre nos podem pedir que tenhamos calma e não desistamos, quando vemos que os mais próximos são os primeiros a falhar. Era uma oportunidade, uma só. Calem-se com os elogios e com palavras bonitas e dêem a oportunidade que este projecto/sonho merece. Com tanta porta fechada começam a faltar as forças para fazer vingar aquilo em que acredito e creio ser o melhor e o mais vantajoso para a sociedade futura. Porra, uma p*ta de uma oportunidade para mostrar a urgência e a necessidade do mesmo! UMA!

Enquanto isso vou ouvindo isto, para ver se a chama da esperança não se apaga! Hoje está mesmo difícil...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O que uma pessoa tem que aturar!


Quem me conhece sabe que eu tenho uma cabeleira farta de caracóis. É do conhecimento geral que rajadas de vento e cabelos soltos, especialmente encaracolados, é coisa da qual não se deve esperar resultados muito bonitos. Ora bem... Hoje, ao chegar à Farmácia depois da hora de almoço, fiz um esforço enorme para me equilibrar e não levantar voo. Escusado será dizer que a única coisa que via à frente dos olhos era cabelo. Ao entrar, baixei a cabeça e levantei para ver se endireitava a juba. Qual não é o meu espanto quando ouço soar uma voz masculina, vinda do armazém, que diz: AH LEOA!!!! É que já não me bastava o desastre capilar...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ó humanidade injusta e cruel! Ó guerras de poder malditas que só atingem os inocentes! Mundo, onde vais tu parar?!




Sabes? Hoje permito-me ao sentimento: Gosto de ti! Sério, gosto mesmo. É a forma subtil e discreta com que crias os momentos que me faz sentir sempre desafiada. Uma simples viagem ao teu encontro está repleta de uma loucura sã que queria que todos vivessem, uma vez que fosse na vida. É o não pensar e o optimizar o agir que me libertam as amarras. O normal que frisaste não ser o que pensei é o que te caracteriza e o que teimo em não aceitar. E desse normal surge todo um ser talhado pelo contributo biológico e social, de onde lhe escapa uma réstia de sensibilidade que julgo escondida de propósito. Aprendi a ler-te ao longo dos anos, não dedicando muito tempo a decifrar o verdadeiro significado de cada pormenor da tua acção. Não porque não quisesse, não me entendas mal, mas antes porque percebi que era um erro crasso esquartejar de uma forma mesquinha a tua alma. És aquilo que me entregas. És aquilo que me fazes sentir. És aquilo que me mostras nos mais ínfimos detalhes da nossa comunicação. Não há toque, cheiro ou gosto que te esqueça. Teimo num trabalho mental de salvamento de cada momento "normal", que tornaste nostálgico por não poder ser novamente vivido na mesma intensidade. Levarei sempre de ti os minutos dedicados às lágrimas, os sonos interrompidos, as conversas deambulantes, o desejo de estar e ser contigo, a perfeição no encaixe do teu ombro, a flor no cabelo, a tensão no olhar, os avanços e os recuos, o sentimento de pertença a algo indecifrável e ilógico. Guardarei as tuas palavras como uma herança, com o seu quê de história e potencial de futuro. Ainda há de chegar o dia em que minutos se tornarão horas, horas se tornarão dias e dias se tornarão anos de uma convivência que não quero ver extinta. Que tenhamos sempre a capacidade de nos ler mutuamente no meio do que dizemos sem pensar, no meio da nossa capa de segurança que não podemos fingir que não existe. Que tenhamos sempre a sorte de sentir a química humana a correr-nos nas veias. Que continues astuto na resposta ao chamamento que o meu coração faz ao teu, no silêncio da minha ausência sem sentido. Que nunca nos falte a capacidade de sonhar com os pés assentes na terra. Que não percas a vontade de me presentear com normalidades tão dotadas de significado. Que eu não perca a capacidade de me encantar com a escolha livre, tantas vezes efémera na duração mas tão eterna na marca que quer deixar. Por tudo isto, por tudo o que não me permite a expressão verbal mas antes a intensa vivência, por aquilo que revelas, por aquilo que transformas em mim, por ti, por mim, por nós: Gosto de ti! Porra, como este meu gostar é um gesto tão terno e se basta a si mesmo, sem necessidade de retorno para ser verdadeiro!