E, depois do dia de trabalho, acabar a noite a dinamizar projectos no café a que vinha na minha infância com o meu avô é, deveras, sentir-me em casa. É uma tasca rústica, com bancos de madeira e mesas criadas a partir de pipas de vinho. Tem recordações de tempos idos e um LCD gigante. O dono tanto coloca a VH1 a altos berros como nos congratula com concertos de Leonard Cohen. No caminho da tasca para o carro tenho sempre o privilégio de ver o cais e fitar a bateira que era do meu avô e sempre me levou em passeios pela ria. Há dias em que o que mais quero é sair desta terra. Há outros em que me deparo com o privilégio que tenho em poder contactar, diariamente, com as minhas memórias mais felizes. Eu sou aquilo que outros viveram a meu lado, sou a história que fui criando. Eu sou lugares, recordações, objectos e sentimentos. Eu sou um ser estranho e eternamente deslumbrado pelo que me rodeia. Que nunca me tirem os meus sítios, as minhas pessoas. Se quiserem fazer parte de mim venham... mas venham sem segundas intenções, sem jogos, sem tempo contado. Venham para ficar, para me ouvir, para me criar. Ou não venham de todo. Preciso de quem cria memórias boas, de quem me faça recordar lugares e querer voltar lá vezes sem conta. Preciso de quem honra o compromisso de, simplesmente, se instalar. Assim, sem prazo de validade, com todo o mistério honesto que comporta dentro de si.
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
Em modo...
Filha, mudei o roupeiro! É a rebaldaria matinal ao som do berbequim e do martelo...
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sábado, 28 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
DOS AVÓS MAGNÍFICOS QUE ME CALHARAM NA RIFA |
Conheci 3 mas só 2 continuam vivos. São fonte inesgotável de sabedoria e experiência. Se há pessoas que me tornaram naquilo que sou hoje, foram eles. Com toda a paciência, com todo o empenho, com a confiança e orgulho que sempre necessitei. Perder o meu avô materno foi das experiências mais traumatizantes que já vivi até hoje mas sinto que, mesmo longe da minha vista e do meu toque, estará presente na minha vida. Faço questão de ter em mim o que de melhor ele carregava em ombros. E hoje, sendo o dia de homenagem a estes grandes exemplos, não deixo de o relembrar. Só morre quem deixa de habitar o nosso pensamento e o nosso ser. Não é o caso. Nem este, nem nenhum dos outros. Que sejam muitos os anos que irão passar a meu lado, a relembrar-me de todas as asneiradas que tinha o gozo de fazer. Obrigado!*
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
DO DIA DA CRIANÇA (que há em mim!) |
Diz a minha mãe, enquanto me encontro no sofá, debruçada sobre os joelhos, com o queixo apoiado, a ver o Rock in Rio, mais especificamente o Adam Levine:
- Olhando a tua cara, é mais que notório o desalento que te habita o coração.
Se não tivesse a mania que sou forte, tinha-me desmanchado a chorar naquela altura, qual criança desiludida.
Definitivamente, eu fui feita para viver a minha vida como se de um festival se tratasse.
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Music is my world*,
This is me*
terça-feira, 15 de maio de 2012
DO DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA |
Foi para isto que a família foi criada. Para ser o rio inesgotável de esperança e fé, para continuar a acreditar e a lutar a nosso lado quando as forças teimam em cessar. Tenho a certeza.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
DO AGRADECIMENTO POR MAIS UM DIA...
Ao fazer a avaliação do dia de hoje senti uma ligeira frustração por ter sido passado, na sua maioria, literalmente na cama. Não gosto de dias em que só faço uma coisa, ou dias em que actos preguiçosos têm maior evidência. Depois pensei melhor e constatei que estava completamente enganada. Com os inúmeros afazeres que me seguem, pelo menos, até Junho, pouco tempo ou nenhum tenho tido para estar com os meus primos. Hoje dediquei o meu tempo todo a fazer-lhes companhia, a conversar com eles, a ver vídeos do Benfica e do Cristiano Ronaldo, a ler histórias, a cochilar, a jogar Mikado. Eram só para ficar 2h e acabaram por ficar 5h. Se cobertores, cama, pijamas e robes servem para lhes proporcionar um bom dia, eu fico grata por ser preguiçosa e partilhar algo meu: a cama que me faz, todos os dias, sonhar um pouco mais, acreditar um pouco mais, melhorar um pouco mais. Tal como vou fazer agora.
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2 pelo preço de 1*,
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Happy Moments*,
Orgulho*
segunda-feira, 19 de março de 2012
Pai é aquele que cuida. E eu posso dizer que tive, pelo menos 2. O meu pai e o meu avô. Um está comigo diariamente, dá-me cabo da cabeça mas sabe como aturar o meu mau feitio. Agradeço-lhe toda a educação e todos os valores que me deu. Agradeço o trabalho árduo para me dar o que tenho hoje. Agradeço os riscos que correu ao dizer que sim aos meus devaneios. Agradeço que tenha mudado para melhor, nem que para isso tenham sido derramadas lágrimas, entoados gritos, originadas discussões feias. Não gosto lá muito de ter herdado dele o "dizer coisas sem sentir". Não gosto de ter herdado a impulsividade extrema. Não gosto de quando me julga sem motivo, não gosto de quando me pressiona para controlar a minha vida, não gosto que coloque em causa a minha responsabilidade ou maturidade. Não gosto da forma como é orgulhoso mas amo a forma como me ouve e como tem aprendido com os meus ensinamentos. Tenho um pai que perdeu cedo a mãe, que esteve em risco de perder uma filha, que viveu sozinho durante os piores 6 meses da sua vida, um pai que chorou quando eu estava em pânico para levar a penicilina, um pai que viu os olhos da outra filha a condená-lo por a deixar em Alcoitão. Um pai que levou com todas as minhas frustrações. Um pai que não sabia como chegar a mim quando, de facto, era somente não exigir de mim o que eu não podia dar. Um pai com quem adoro discutir porque posso ser eu, posso ser verdadeira, posso afirmar as coisas como elas são. Um pai que nunca desistiu e que, dia após dia, continua a não desistir de mim. Das poucas pessoas que não o fazem.
O meu avô, que infelizmente já faleceu, foi quem verdadeiramente me criou. Ensinou-me a andar, contou-me histórias, ensinou-me a pescar, fez-me gostar mais de peixe do que de carne, iniciou-me nos enlatados, fazia os trabalhos de casa comigo, ensinou-me a jogar às cartas. Pessoa discreta, inteligente e sábia, não era muito dado a discussões, emitindo a sua opinião na hora certa, com a maior segurança que lhe era característica. Pessoa franzina e de pele clara, tinha os braços queimados do sol, usava camisolas aos quadrados, andava de bicicleta e dizia que fumava SG. Adorava vinho tinto e eu divertia-me a gozar com ele quando falava durante o sono. Pessoa dada aos horários trocados, só não fazia pelo outro aquilo que não podia. Oferecia-se de coração, era simpático e fazia de tudo para ver um sorriso no nosso rosto. Não me lembro de algum dia discutir com ele. Mas lembro-me dele a gozar com os meus amuos típicos de criança. Não era uma pessoa de beijos mas antes de abraços. Não era uma pessoa de lágrimas mas conheci-lhe, algumas vezes, o sentimento de impotência. Conheci-lhe também o orgulho em mim, coisa até hoje completamente insuperável por quem quer que seja.
Sei que hoje, neste dia do pai, carrego em mim cada um deles. Sei que o meu pai não é perfeito, como o meu avô não foi. Magoaram e magoaram-se. Umas vezes acertaram, outras nem tanto. Mas a alegria que me consome é que sempre lhes conheci a necessidade de serem melhores, de fazerem melhor. Sempre lhes conheci fragilidades e defeitos e nunca os usaram como desculpa para o fracasso. Nunca lhes senti a cobardia. Sempre disfarçaram bem o medo. Sempre trabalharam para ser os melhores pais. E conseguiram, pelo simples facto de tentarem, de não desistirem. Orgulho-me deles por terem sido meus. Quem sabe, um dia, falarei de outro pai que irá marcar a minha vida. Mas mesmo que esse pai chegue, sendo príncipe ou sapo, nunca esquecerei da marca dos reis da minha vida.
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Dói um bocadinho do lado esquerdo*,
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domingo, 4 de março de 2012
Senhor Jesus, o Cristo, dá-me paciência... daquelas de santa! Amén*
Tem dias que sou mãe dos meus primos, mãe da minha irmã, mãe da minha mãe e do meu pai e ainda me sobra tempo para ser mãe da minha tia! É amigos... Tenham lá calma com vocês que eu sou só uma e há aqui uma certa inversão de papéis. Não tarda muito e sou promovida a salvadora da pátria...
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Não há uma sem duas, nem duas sem três, nem três sem quatro!
Lembram-se disto?! Ah pois é. O outro gémeo deve ter ficado ciumento, ou algo que o valha, e tratou de partir... o braço! Muito bonito. 4 semanas com um braço novo. Agora já não é só um, mas sim dois rufias com mais experiência que eu.
Dada a necessidade que demonstrei neste post de adquirir mais experiência, foi-me dada uma queimadura no braço esquerdo, enquanto fazia bolachas no Natal, em forma de lágrima. Coisa mai' linda!
É certo que agora não estou, nem de longe nem de perto, a criticar o avanço das criaturas. É que vai na volta e o Karma ainda se lembra e me presenteia novamente.
Mas, avaliando a realidade dos netos da minha avó (que é o que temos todos em comum!): uma foi atropelada, outro parte a cabeça e este último o braço. Eu tenho-me escapado, nem sei bem como. Se bem que... coração partido conta?! É que se contar já entra para as contas e estou imune por uns anos!
Somos duros comó aço!*
sábado, 17 de dezembro de 2011
Chuk Sung Tan ♥ #6
Adoro festas de natal. Adoro ter primos com 5 anos que me fazem recordar uma das épocas mais especiais da minha infância. O meu grupo tinha sempre algo para apresentar nas festas de natal da escola. E eles, seguem-me as pisadas.
Depois de fazerem uma representação de rancho folclórico, colocaram os gorros de pai natal, vestiram uma capa de plástico vermelha e dançaram a "dança da estátua". Descobri ontem que têm jeito para dançar. Têm o showbizz a correr-lhes nas veias. Mas, como podem reparar, eles não se encontram aqui identificados.
A foto acima mencionada vai marcar o meu natal por um facto muito simples: ali no canto superior direito tem uma menina com um andarilho, com uma fita cor de rosa na cabeça. Nesta performance, ela era a fada, aquela que, agarrada ao seu meio de transporte mágico, presenteava os outros meninos com a varinha mágica e os pós de perlimpimpim. Este gesto foi, sem dúvida, dos mais nobres que vivenciei nos últimos tempos. Colocar uma menina com deficiência a "personagem principal", com uma função "mágica", é de uma ousadia extrema, duma humildade e dedicação soberbas. Adoro pessoas que pensam na forma de criar momentos únicos na vida destes seres com mais limitações. Espero que a professora, que lhe proporcionou estes "segundos de fama", tenha a noção de como esses mesmos segundos marcarão e determinarão a vida desta menina. A felicidade que ela transbordava era genuína. E a esperança que transmitiu, em épocas tão difíceis como estas, foi notória... e ninguém ficou indiferente!
Posso não viver mais nada de marcante neste Natal, que esta lição de vida chega para que este se torne o mais belo dos Natais.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Cuidar é...
...chegar a casa e ter sempre o cesto da lenha cheio, para que possa acender a lareira e a sala fique quentinha...! Só assim poderás preparar, em condições, as explicações e as reuniões que tens. - dizem eles! ♥
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Jackpot!*
Tenho 2 putos às pintas!
Chicken Pox aka Varicela a atingir a família desde 1991... que eu me lembre!
1991. Do alto dos meus 4 anos, toda eu andava pintada com eosina! Toda eu, de pele branca e caracóis loiros, me transformei num ser vermelho e achava um piadão enorme à hora de "avermelhar" um pouco mais as minhas feridas. Fugia dos meus pais para me ir coçar. Até arranjei um esconderijo no meio das galinhas, dos pombos e dos patos. Andava divertidíssima com aquilo porque acabei por ganhar uma agenda da Mafalda e uma estadia em casa prolongada, o que me permitia ver desenhos animados até tarde. Lembro-me ainda que as barbies ficaram todas vermelhas, fruto da minha arte com marcadores e, o cão e o coelho anão escaparam de um banho de eosina porque ninguém confiava muito nos meus silêncios prolongados. Eu era, sem dúvida, uma criança diferente! E agora fico à espera da "diferença" destes dois loirinhos de olhos azuis, cabelos despenteados e olhar rebelde.
PS: Uma coisa é certa... estarão trajados a rigor para o derby de amanhã! Há que ver a coisa pelo lado positivo!*
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
O dia 29...
Neste mesmo dia, no mês passado, predominavam os sorrisos, a diversão, o orgulho e a vontade de ser mais e melhor. Hoje predomina o silêncio e o vazio. Mas se este dia, que agora começa, não me trouxer mais nada de bom, ficará para sempre na memória a moldura com a foto de nós dois (aquela primeira, a preto & branco!) que o meu pai pegou "em mãos", olhou por momentos, sorriu com orgulho e voltou a pousar. Foi um gesto único e eterno que me deixou... assim, feliz!*
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Depois de uma semana em que pensei que não iria sobreviver ao "terror" dos meus primos, eis que, em vésperas de me dirigir para Espanha, um deles me mete a chorar e me faz acreditar, piamente, que o amor desmedido e a atenção demonstrada são a cura para todos os males. Pergunta-me ele, do alto dos seus 4 anos, quando parto eu, de "caminete" para Espanha. Respondo que o farei nesta madrugada. Ele desaparece por uns momentos e surge-me com um chapéu, que tem inscrito em si a palavra PORTUGAL e que foi aquisição no jogo de ontem com o Luxemburgo e diz: "Podes levar isto contigo?! A sério... Não te esqueças! E pronto..." É isto que me engrandece e me faz feliz. É isto que me realiza e me faz orgulhar da obra que tenho vindo a ajudar a construir. É isto que levo na bagagem e é desta pureza e grandeza de espírito que quero voltar... recheadinha! Já não aguento o calculismo, a desconfiança, a incerteza e a angústia em que decidi enfiar-me... precisamente há um ano! Limpeza de espírito... limpeza... limpeza! Tratarei de tentar redigir um diário... necessito de ter, um dia mais tarde, transformações palpáveis, passíveis de demonstração a mim mesma... por intermédio do reforço positivo... sempre pelo reforço positivo!*
Hala Madrid!*
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terça-feira, 5 de julho de 2011
O meu pai tem um problema... GRAVE!
O meu pai tem 2 carros. O dele e o "meu"! Pagou pelos 2. Ok, o dele é mais recente. A nossa casa tem uma rampa, cujo portão, com abertura super fácil, separa a propriedade da via. Quando eu deixo o "meu" carro na rampa e o dele tem que ficar na rua, a uns escassos 5 metros, ele sofre de perturbações no sono. Ele sonha com assaltos e vai lá abaixo ver o que se passa e não vê o carro dele e quase tem um ataque.
Hoje deixei o carro na rampa. Ele quando chegou para jantar já vinha com perturbações de humor. Mal saí para o café foi colocar o dele na rampa.
Eu não posso sair com o carro dele. Há ali qualquer botão de alarme que acciona mal eu falo em trocar de carro... esteja ele no rés-do-chão ou no primeiro andar.
No meu ponto de vista, há assim mais uma meia dúzia de coisas com que vale a pena preocupar-se a sério... mas isso são só teorias minhas! Há dias que os genes que partilho com ele se enervam todos, sujeitando-me a mutações graves nos mesmos! Jizaz!
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
Sinto que os laços entre mim e o meu tio se fortaleceram...
Ele enviou-me um pedido de amizade no Facebook. Ah! E foi o mesmo que descobriu o meu anterior blogue! Sinto que o sentimento de despique que se vive entre nós é detentor de um outro sentimento maior. Vamos lá combater isso até às férias! LOL
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
Constatações da minha mãe...
"Manel... Ela sabe mesmo cozinhar! O rapaz já não morre à fome!"
Eu tenho cá para mim que ela sempre associou a minha extrema magreza ao facto de eu "não mexer um músculo" para me alimentar. O que é certo é que cozinhei para mim, na faculdade, durante 3 anos, fui "ajudante de cozinha", numa Irmandade, no último ano da mesma e vivi um mês sozinha. 24 anos de convivência e ela ainda se maravilha com os meus feitos. Só pode ser amor extremo!
Ah... Para não falar que, agora, o que lhe preocupa é que "O RAPAZ" não morra à fome! Continuo a dizer que ela sempre acreditou que eu vivia de cereais, farinhas lácteas, leite e iogurtes e que ia passar esse hábito à descendência!
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Define future*,
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Hoje farias 70 anos...
Comemoro a 301ª publicação com uma homenagem a um dos homens da minha vida: o meu avô!
Fez ontem 5 anos que partiste mas prefiro imaginar o alvoroço que se iria viver hoje cá em casa! Do alto da tua sapiência, apresentavas-te com um penteado característico que eu teimava em desajeitar, olhavas-me com aqueles olhos grandes, de um verde forte, que trazia associado as rugas características da idade e a pele queimada pelo sol.
Foste o homem que aturou birras quando eu "estava com a mosca", foste o homem que me fez montes de curativos nos joelhos e nos braços, quando eu teimava em andar por cima de muros e subia às àrvores, foste o homem que leu a mesma história em BD para cima de 50 vezes e que não tinha ordem de saltar quadradinhos nem de os alterar.
Ficavas vezes sem conta perdido nos teus pensamentos, sentado ao pé da lareira, deixando o cigarro consumir-se por ele, enquanto fazias rede. Ensinaste-me a encher as agulhas com que a tricotavas mas eu achava mais interessante e desafiador fazer o contrário.
Sempre fui uma miúda rebelde, com direito a um cantinho com areia para eu fazer as minhas civilizações, que tinha uma hora certa para o lanche, que adorava passear de bicicleta com o avô e que, adorava muito mais, meter os pés no raios da bicicleta... com e sem protecção!
Ele fez-me crescer num cais de uma ribeira, onde tinha uma bateira com o nome Vadia e outra com o nome Pérola da Ria. Um dia disse que tinha a ver com os meus estados de alma! Tinha humor o sacana!
Aprendi a jogar cartas sentado numa mesa de uma tasca onde me levava. A minha altura não me permitia outra coisa. Lá pagava-me sumos e copos de leite frios e quando eu tentava fugir para ir apanhar borboletas ou caracóis, puxava-me pelo colarinho da camisola.
Pois bem... Foi nessa mesma tasca que tive o último contacto com ele. Uma nota passada por debaixo da mesa e a promessa, cheia de orgulho, de me ver trajar. Tal não aconteceu.
Acabei o curso, iniciei o mestrado, perdi-me, encontrei-me, desiludi-me, iludi-me, sorri e chorei. Realizei muitos sonhos, criei outros tantos. Conheci pessoas, ganhei umas, perdi outras, afastei mais algumas. Conheci Portugal, parti e escondi-me do mundo, voltei para ele.
Não reconheci o meu lugar na família, vagueei por outros lares e tectos, descobri que o meu lugar era precioso. Deixaste-o como herança, confiando no poder que me deste para fazer sempre mais e melhor por esta família que foi tua e que agora é minha!
Deixaste ainda gravado: "Que sejas fiel a ti mesma na família e no mundo... na família e no mundo, minha querida!"
Vou tentar, meu velho... nunca desapontar!
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