Este Senhor que aqui vêem a comunicar, quiçá com o Criador, é um amigo, um GRANDE amigo. E hoje, mais do que nunca, tenho a certeza disso. D. António Francisco dos Santos, ex-Bispo de Aveiro e agora nomeado Bispo do Porto, foi um dos pilares que firmou os últimos anos da minha vida cristã. Entre a sua chegada e a minha ousadia de fazer diferente, a sua presença e o meu encarar de responsabilidades e a sua saída e o meu ano sabático resta-me a certeza de que cresci muito e melhorei, enquanto pessoa, graças à sua dedicação ao próximo. Ele soube o meu nome no primeiro dia em que fomos apresentados... e nunca mais o esqueceu. Fez sempre questão de me saudar utilizando o meu nome, o que me fazia sentir especial. Como era comigo, era com a maioria do seu povo eleito. No tempo em que o dever me exigia estar atenta aos seus discursos, quer escritos, quer falados, descobri autênticas pérolas de sabedoria. Registei imensas, fiz questão de partilhar outras tantas. Hoje, perante a realidade da sua despedida, não consegui controlar as lágrimas e o sentimento de perda abateu-se sobre mim. Quem me conhece sabe que sou terrível a lidar com perdas. Demoro imenso a mentalizar-me de tal injustiça. Ao regressar do jantar, e mesmo em frente à bela Sé de Aveiro, D. António Francisco encontrava-se nos últimos "adeus". Cheguei perto dele, para o cumprimentar novamente, e pedi-lhe que me deixasse desabafar. Ele consentiu. Ao que eu lhe disse, com os olhos rasos: "D. António, no seu discurso pediu perdão pelas suas faltas. Quero agora pedir-lhe perdão por esta, que me pertence: "Perdoe-me por ser tão má a digerir perdas. Esta ainda vai demorar a passar." Ao que ele me responde, em jeito de conforto: "Entendo a tua dor e sou solidário com ela. Tens todo o direito de estar assim pelo tempo que achares necessário. Perdoa-me!" E eu fiquei desarmada, com uma sensação de leveza a querer inundar-me o coração magoado. Humildemente aprendi, mais uma vez, o poder e o doce sabor do perdão. Agradeço os anos em que foi meu Bispo... mas sinto que nos tornou órfãos cedo demais. Será sempre um amigo, D. António. OBRIGADO!*
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segunda-feira, 10 de março de 2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
25+2, por assim dizer!
Quando me ponho a pensar que já tenho 25+2 anos, começo a hiperventilar. Há qualquer coisa em mim que me faz desacreditar de tal feito. Olho com prazer para um passado cheio de histórias que consigo esmiuçar como se do presente se tratasse, histórias com mais de 10 anos, pelo que não entendo como é que posso ter já 25+2 anos. Mas o cartão do cidadão comprova isso mesmo. E, contra factos, não tenho argumentos! Eu, ao contrário de uma grande parte das pessoas, adoro fazer anos. Gosto do projectar do dia, gosto dos cânticos, gosto dos sorrisos e dos mimos, gosto da atenção, gosto da celebração e de todos esses detalhes pirosos. Olho para dentro de mim e ainda sinto viva a criança deslumbrada pelo encantamento de um dia só seu. Deito-me a estas horas porque houve quem se disponibilizasse para aceder aos meus caprichos de menina mimada, com direito a bolo de arco-íris, brindes e extremas conversas de vida. Sinto que não cresço neste encanto e magia. Sinto que não quero perder esta faceta. E é bom de ter, ver e viver a mesa cheia de pessoas especiais, os copos a bater uns nos outros, os abraços e os beijinhos repenicados, os lábios a acusar o excesso de chantilly, as mãos que se entrelaçam, a alma que se deslumbra por se ter agarrado àqueles seres. Sou feliz e grata pelas pessoas da minha vida. Sou feliz e grata por estarem sempre dispostos a ouvir-me e a fazer-me crescer. Sou feliz e grata por toda a dedicação. Tenho a consciência diária disto tudo mas é bom demais quando podemos viver isto de uma forma exagerada. Gosto de sentir exacerbadamente. Gosto de declarações íntimas do amor recíproco que nos une. Por tudo o que já vivi e por tudo o que espero viver intensamente, venham de lá esses 2 acrescidos de 25 para continuar a grande obra que tenho na vida: glorificar os dias que me são oferecidos e marcar vidas! É tão bom fazer diferente, viver diferente. Boa noite!*
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Vamos embalar o que resta deste domingo!
Ontem, antes de me deixar ritmar pelo som acelerado do samba, iniciei a noite com a performance estonteante d'Os Ursos. Da voz do querido Miguel saiu um cover brilhante desta grandiosa música e eu já não me lembrava o quão fantástica era. Hoje, domingo, véspera do regresso ao trabalho, deito-me no sofá e acciono o play, como em jeito de recordação e agradecimento pelo fim de semana que foi vivido. Há momentos e pessoas que fazem toda a diferença. Venha essa semana! Boa noite*
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
O melhor do meu dia! #9
O respeito é, sem sombra de dúvida, um grandioso iniciador de desbloqueios de atritos, de mágoas. E se formos persistentes nesse respeito, transformando-o quiçá em compreensão, talvez o universo nos dê uma ajudinha e reoriente o percurso das nossas vidas. O bom do tempo que passa é a mais valia da maturidade, do crescimento, mesmo que tantas vezes a ferros, à custa de sofrimentos que poderiam ser atenuados. Mas se servirem como impulsionadores de uma vida mais sã, digna e verdadeira, que seja! A vida continua e nós, até prova em contrário, continuamos aqui com a capacidade de fazer diferente, fazer melhor. É para isso que vivemos! Basta acreditar. Basta querer. Lembra-te: fé e vontade. A minha resposta à tua certeza: crer e querer! E humildade.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Há utentes do outro mundo!
Estava eu muito bem a atender uma utente e eis que outro utente, um senhor pintarolas já com alguma idade, pede desculpa por interromper o atendimento e eis que profere tal pérola:
- Dra, vai desculpar-me a ousadia mas eu tenho que avaliar a sua performance. Deixe que lhe diga que você está tal e qual a Shakira! O seu penteado faz-me lembrar muito ela. Olhe, está um must! (Une os dedos da mão e beija-os entusiasmado!) Não é senhor Manuel, não concorda comigo? (A socar abruptamente o parceiro do lado!)
A gargalhada foi geral e de tal forma audível que contagiou todas as pessoas que estavam na Farmácia. Isto há dias que começam mesmo bem! Haja quem repare, Deus meu... haja quem repare!!!
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
E a saga do balcão continua! Os dias de serviço têm destas coisas. Hoje coube-me ouvir a história de uma colega de primária que terminou uma relação de algum tempo há cerca de 6 meses. Os pormenores que ela mencionava fez-me relembrar e muito o término da minha última relação. Meu Deus, como foi estranho! Já não pensava neste assunto há bastante tempo e aperceber-me do quão corriqueira e, infelizmente, normal esta situação se está a tornar, faz-me começar a achar que fui um poço intenso de sofrimento sem muita justificação plausível. Acho que destilei neste término a mágoa das frustrações acumuladas e, portanto, não se pode "dar o mérito" à pessoa em questão mas antes ao acumular de situações mal resolvidas e de uma auto-estima completamente no lodo. Agora o que me surpreendeu foi o desenrolar da conversa em si. Algum dia, naquela altura, lhe diria o que disse hoje, completamente descomplexada? Nunca. Algum dia, naquela altura, seria tão clara, real e concreta na análise da situação? Jamais. Algum dia, naquela altura, teria tamanha compaixão e abertura de mente? Deumalibre! Aquilo que a minha colega nos fez ver foi que a vida tem os seus percalços e é a aprendizagem, tantas vezes à força, que nos encaminha para a maturidade e nos faz melhores pessoas. Tão mais humildes quanto a mágoa que um dia nos deixou sem ar, sem sono, sem fome e sem rumo e que, um dia, é superada!
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Hoje é o que há! Pessoas que se vão entregar a uma causa, só porque é uma causa minha e eu pedi ajuda, mas não fazem a mais pequena ideia do que se trata. É disto que gosto... porque é assim que sou e que a maioria de nós devia ser com aqueles que são muito importantes: "Vai na fé cara!" Se quisermos, e se tivermos muita vontade, podemos mudar o mundo.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Estar atrás de um balcão, por vezes, quer também dizer ser confidente. Hoje, num espaço de 1h30, tive perante mim a felicidade plena e a depressão total. Não sendo eu, de todo, o esplendor do equilíbrio emocional, lidei, o melhor que pude, com este alto e baixo perfeitamente delineado. E pensei. Pensei muito e fiquei baralhada, incomodada. A felicidade plena chega-me através da voz de um marido que não ganhou para o susto. A mulher encostou-se a uma mesa de centro, com vidro, pressionou um pouco demais quiçá, esta cede, ela cai desamparada sobre o vidro partido. 10 cm de vidro que, por um milagre, não lhe atingiram a coluna vertebral. Eu vi a foto do pedaço de vidro. Fuck! 9 pontos e direito a uma segunda vida, a uma segunda oportunidade. Ainda estou incrédula. A depressão total chega-me através de um filho, da idade da minha tia, com uma mãe com múltiplos avc's e, agora, demente. Filho de um pai que tentou, recentemente, pôr término à vida, que se encontra internado numa ala psiquiátrica e que, quando regressar, não se sabe se aceitará a entrada num centro de dia, para ser melhor acompanhado. Um filho que também é marido de uma pessoa depressiva e extremamente frágil. Um filho que é homem e tem um negócio próprio que, não sabe até quando será viável, dado o roubo em impostos a que é sujeito. Uma pessoa que está perdida, que não sabe que rumo dar à vida, que está bem perto de desistir de lutar pela vida e pelo encanto que outros lhe dizem que ela tem. Fiquei novamente incrédula. Porque uma pessoa não deveria de ser sujeita a tamanha provação junta. Mesmo que seja forte. É desumano. E é assim, neste misto de alegria e tristeza, que encerro o dia. Sei que a vida é feita de um quase equilíbrio de momentos bons e menos bons e é nisso que me baseio ou tento. Quiçá esta partilha não fundirá a aprendizagem que advém de um sofrimento agudo com a esperança de que o sofrimento crónico se atenuará, não tarda. Quiçá. Eu cá continuo incrédula com a vida, como com a determinação da natureza por este país fora. Não é, de todo, um dia fácil mas "a nossa vontade é forte" ou tem de ser!
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O melhor do meu dia! #8
O melhor do meu dia foi:
- reforçar a confiança na minha tão sábia intuição;
- ficar a saber, em primeira mão, que em 2014 vai haver casório de uma pessoa especial;
- poder partilhar a alegria de uma surpresa bem sucedida;
- terminar de idealizar os presentes de Boas Festas da Farmácia e começar a produzi-los.
Foi um dia importante, o de ontem!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Apaixonei-me num segundo e senti, em todo o meu corpo, um arrepio pleno! Estou viva.
Amar, mesmo que por segundos, mesmo que por instantes, é para sempre. E é isso, essa sensação de segundos ou de minutos ou de dias ou de horas ou de anos ou meses, que é para sempre. Ama. Ama por inteiro. Ama sem nada pelo meio. Ama, ama, ama, ama. Ama. Porque é só por aquilo que te faz perder a respiração que vale a pena respirar. | Pedro Chagas Freitas
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Chuk Sung Tan ♥ #38
O stresse do trabalho de hoje foi combatido com pequenas árvores destas! Até que, por vezes, o coleguinha do estaminé acerta.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
FACTO #133
Tenho saudades tuas, porra!
Sabemos que somos especiais quando...
... volvidos 2 anos, e com uma série de problemáticas que nos podiam ter afastado, aquela música soou e tu começaste a chorar à minha beira. A única reacção que tive foi abraçar-te... fortemente! Sabia um dos motivos das tuas lágrimas mas fiquei chocada com o outro que me contaste posteriormente. Não fazia a mínima ideia do que se passava e isso, naquele momento era o menos importante. Puxei-te para fora e deixei-te chorar até não quereres mais, até não poderes mais. Senti que choraste a alma. O meu coração estava a ficar apertado com o teu sofrimento que, finalmente, se estava a libertar e a fazer ouvir. Mas eu só tinha uma função: manter-me ali. Ouvir-te. Abraçar-te. Encorajar-te. Há 2 anos ou exactamente no dia de hoje, a minha opinião sobre ti não mudou: és forte, e não fraco como dizes, e aguentas muito mais do que aquilo que pensas. Tens uma grande mágoa e um grande medo no fundo de ti que queria poder ajudar a remover. Mas não posso. Tens um longo caminho a percorrer. Só te posso garantir que, enquanto me for permitido, não desistirei de te acompanhar na luta. Sabemos que somos especiais quando as pessoas podiam simplesmente optar pelo lado mais fácil e óbvio mas preferem ser fiéis à união e confiança que um dia foi construída. Não me arrependo de ter estado ali para ti. Independentemente de quem tens na tua vida e que nos une. És um amigo e isso, independentemente de tudo, não vai mudar. Eu não quero que mude. A preocupação, a identificação e o carinho que se tem por alguém não surge do nada. Trabalharei para manter o nosso. Vai tudo correr bem, pequenino. Não desistas.
sábado, 30 de novembro de 2013
As palavras de todos aqueles que foram forçados a dizer "Até já!". Eu acredito!
Não chores diante do meu túmulo
Eu não estou lá
Eu não durmo
Eu sou os mil ventos que sopram
Eu sou o diamante que cintila na neve
Eu sou o sol nos grãos maduros
Eu sou a suave chuva de outono
E quando acordares no silêncio da manhã
Eu sou a prontidão inspiradora
Das aves tranquilas circulando em voo
Eu sou as estrelas que brilham suave na noite
Não chores diante do meu túmulo
Eu não estou lá
Eu não morri.
|Mary Elizabeth Frye|
|Mary Elizabeth Frye|
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
O melhor do meu dia! #6
Estou em crer que hoje foi um desses dias bons. Daqueles em retiraríamos uma dúzia de lembranças boas para registar para a posteridade. Mas hoje quero falar-vos do quão reconfortante é a voz do Eddie Vedder e a mensagem do filme Into the Wild. Há muito, muito tempo, ofereceram-me esse filme depois de um jantar preparado a dois. Lembro-me que era Fevereiro e eu tinha acabado de fazer anos. Achava que sabia muito da vida, que tinha todas as respostas e um caminho super definido de futuro. Lembro-me de andar às voltas numa cadeira de secretária enquanto esperava pelo chá. Lembro-me do ambiente ameno daquele quarto. Estava onde queria estar, com uma noite inteira pela frente. Ele já tinha visto o filme mas fazia questão de o rever as vezes que fosse preciso, disse. Aquilo tem que ser muito especial, pensei. Alertou-me para sentir a banda sonora com a alma. E eu já estava a ficar muito chateada com tantas instruções. O que é certo é que foram aqueles pequenos alertas que me foram úteis para aquela noite se tornar em algo especial. Quando chegou o The End ao visor eu tinha a garganta seca, o estômago contraído, os olhos encharcados e era um ser diferente. Aquela lição sobre a felicidade, a valorização dos momentos simples da vida, a viagem, as pessoas, o ser, o sentir, o desafio, fizeram-me querer sair daquilo que, afinal de contas, era uma zona de conforto criada por mim. Naquela noite quis tornar-me num ser melhor, mais humano, mais fiel ao meu plano de vida. Naquela noite houve conversa rica até de manhã. Houve dúvidas, respostas, incertezas e novos traços de futuro. Tudo com o apoio de Eddie Vedder e da sua mágica voz, das suas músicas que tocam a alma. Na semana passada estive com o cd na mão, prestes a trazê-lo para casa e, no meio de um transe existencial, deixei-o repousar naquela gélida prateleira. Como a vida é sábia e tramada, hoje colocou-me, do nada, a ouvir as suas músicas. E que bem que me fizeram. É por isso que, quer queiramos quer não, o que tem que ser tem muita força, já dizia o outro. Espero que, um dia destes, isto possa vir a ser o melhor do vosso dia também!
domingo, 3 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
A minha vida dá um wallpaper! #4
Muitos tendem a renegar esta tradição porque não é tradicionalmente portuguesa, como dizem. Eu, desde que me lembro, sempre a celebrei na escola e durante o dia. Tínhamos permissão para levar fatos alusivos ao tema e era um dia de avacalhanço total. Havia um concurso interno para ver quem ia mais hardcore, que naquela altura limitava-se a quem ia o mais horroroso possível. Quando passei para o 2º ciclo, eu e mais um grupo de amigos, criamos a parte nocturna da celebração. Encarnávamos as personagens de uma forma mais séria e, finda a recolha dos doces, que ainda durava umas horitas, íamos dividir os mesmos para a porta do cemitério que era para tentar dar um ar mais medonho ao acto. De ressalvar que só íamos para lá para nos armar, visto que era um lugar extremamente iluminado. Éramos uns borrados do pior, admito. Com o passar do tempo deixamos de ser o único grupo a celebrar desta forma e fomos perdendo território de doces para aqueles que iam mais cedo que nós. Virámo-nos então para os bailes de Halloween. Tínhamos que usar o estatuto de membros da associação de estudantes para alguma coisa. O que mais me deixava em pulgas era a parte da decoração. Desde teias e aranhas gigantes, a sangue groselha em copos, a gomas em formas de olhos e dentes, a máscaras de cartolina, a toneladas de gel e spray nos cabelos, a maquilhagens que mais parecia que estávamos a sofrer de hipoglicémia, eu era mesmo feliz com toda a parte de pensar e fazer acontecer esta festa. E é por me ter divertido tanto, que incuto isso nos meus descendentes. Já o fiz com a minha irmã e agora com os meus primos. No sábado passado sim, por vezes temos que antecipar as festas fomos todos arranjar vestimentas a rigor e, depois de devidamente equipados, fizemos um lanche monstruoso. Após solicitação das crianças para não me esquecer do devido registo fotográfico, ainda fizemos uns ditados e umas partidas de Wii e, no fim, foi vê-los deslocarem-se para casa com um sorriso de satisfação no rosto e cansados por terem sido crianças, cuja única preocupação era experimentar a felicidade. Assim vale a pena, seja qual for o motivo da comemoração.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Na minha profissão ensinaram-me a servir o próximo como a mim mesma. Ensinaram-me o valor das vidas que me procuram diariamente para as ajudar a melhorar a sua saúde. Ensinaram-me a importância da empatia com os utentes, atitude necessária para criar laços. E, dia após dia de convivência, os utentes passam a ser os "meus utentes". Acompanho um percurso clínico mas também acompanho vidas. As ligações humanas estabelecem-se, o cuidado e preocupação surgem naturalmente. Ensinaram-me muita coisa mas não me ensinaram a perdê-los. Quando acontece, instala-se a tristeza própria da perda. Tantas vezes, a essa tristeza, vem acoplada a nostalgia de memórias tão próximas. Mas, o que nos resta à alma, é o consolo da certeza de que as histórias de vida que um dia nos contaram são lições que, quase sempre, nos tornam pessoas mais compreensivas, mais tolerantes à diferença, mais atenciosas, mais humanas. Ensinaram-me muita coisa mas não me ensinaram a perdê-los. Para sempre. Ontem morreu o Senhor Salvador, a pessoa mais educada que alguma vez conheci. Escolheu esse fim. Pôs fim a um sofrimento insustentável de crises depressivas, manias e obsessões das quais tinha plena consciência. Um dia questionei-lhe há quanto tempo tomava a mesma medicação, visto ser potentíssima e ele não apresentar melhoras significativas. Esteve a falar comigo mais de hora e meia porque não tive utentes nesse espaço de tempo. Partilhou comigo que, se não fossem aquelas pílulas milagrosas, nunca teria chegado aos 74 anos vivo. Reconheci-lhe a força. Ele falou do que quis falar e eu deixei. Fiquei a gostar daquele senhor "mudo" e com um sentimento de preocupação no coração. Perguntava sempre por ele. Temi por aquela alma, tão confusa e com tanta fobia dos humanos, que me obriguei a voltar a viver um passado não muito distante. Continuo com medo que os mais próximos não nos consigam ajudar quando a dor e a perda são imensas. E ele não aguentou mais. Perdemos o senhor Salvador agora, mas ele próprio já tinha deixado escapar-lhe a alma há imenso tempo. Via-se no olhar, por mais que não se quisesse acreditar. Até sempre!*
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